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Brasil cobra dos EUA fim de tarifas que prejudicam exportações

Ministros brasileiros criticam taxações americanas em reunião virtual e pedem negociação equilibrada 31/07

📝 Redação CCN01 de setembro de 2026 às 10:01👁 9 leituras
Brasil cobra dos EUA fim de tarifas que prejudicam exportações

O governo brasileiro não vai aceitar de braços cruzados as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentaram em Brasília uma posição firme contra as tarifas americanas, classificadas como discriminatórias e contrárias às regras internacionais.

Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, responsáveis pelos dois ministérios, participaram de uma reunião virtual para detalhar a insatisfação do Brasil. Segundo o comunicado oficial, as taxações impostas pelos EUA afetam diretamente produtos brasileiros que tentam entrar no mercado americano, criando obstáculos desnecessários ao comércio bilateral. A queixa não é nova: desde o início do ano, o governo tem observado um aumento no protecionismo por parte de Washington, o que já levou a embaixada brasileira em Washington a registrar protestos formais junto ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Para o Tocantins, a discussão tem peso especial. O estado, que tem na agricultura e na pecuária dois de seus principais motores econômicos, depende fortemente das exportações. Produtos como soja, carne bovina e frango, que saem de municípios como Gurupi, Porto Nacional e Palmas, têm como um dos principais destinos os Estados Unidos. Com as tarifas, os custos sobem e a competitividade cai, o que pode reduzir a margem de lucro dos produtores locais e, consequentemente, afetar empregos na região.

A reunião de segunda-feira não foi apenas um desabafo. Os ministros brasileiros deixaram claro que buscam uma solução negociada, mas não abrirão mão de defender os interesses nacionais. "As regras do comércio internacional existem para garantir que todos os países sejam tratados de forma justa. Não podemos permitir que medidas unilaterais prejudiquem nossa economia", afirmou um dos assessores presentes ao encontro. A expectativa agora é que o Brasil leve o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), onde poderá recorrer a mecanismos de mediação para pressionar os EUA a reverem suas políticas.

O impacto dessas tarifas já começa a ser sentido no cotidiano dos produtores tocantinenses. Em Gurupi, um dos maiores polos agropecuários do estado, cooperativas relatam queda nas encomendas para os EUA desde o início das taxações. "Nossos clientes americanos estão adiando pedidos ou cancelando contratos por causa dos custos extras. Isso afeta diretamente o bolso do produtor e a renda das famílias", contou um gerente de uma das principais cooperativas da região, que pediu para não ser identificado.

A situação também preocupa o setor industrial do Tocantins, que tem investido em modernização para atender ao mercado externo. Em Palmas, empresas do ramo de alimentos processados e bebidas já sinalizam redução de turnos e até demissões temporárias como forma de ajustar os custos. "Se as tarifas não forem revistas, vamos ter que repassar os prejuízos para os preços ou reduzir produção. Nenhuma das duas opções é boa para a economia local", explicou um empresário do setor, que atua há mais de vinte anos no estado.

O governo federal, por sua vez, prometeu acompanhar de perto o desdobramento das negociações. Enquanto isso, no Congresso Nacional, parlamentares tocantinenses já se mobilizam para pressionar pela defesa dos interesses do estado. Deputados como Tiago Andrino (PSD) e Vicentinho Júnior (PL), que representam a bancada tocantinense, devem se reunir ainda esta semana com a equipe econômica para discutir alternativas.

A próxima rodada de negociações entre Brasil e EUA está prevista para setembro, quando representantes dos dois países devem se encontrar em Genebra, na Suíça, para tratar do tema no âmbito da OMC. Até lá, o governo brasileiro deve intensificar os contatos diplomáticos para tentar reverter as tarifas antes que os prejuízos se tornem irreversíveis para os setores mais afetados.

Enquanto a solução não chega, os produtores tocantinenses seguem na expectativa. Em Porto Nacional, um produtor de soja resumiu o sentimento geral: "A gente planta, colhe e torce para vender. Mas quando o mercado fecha as portas, a gente só consegue esperar que os governos façam a parte deles".