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EUA ameaçam taxar 60 países por omissão contra trabalho forçado

Estados Unidos acusa Brasil, China e Reino Unido de não combaterem adequadamente o comércio de mercadorias produzidas com exploração

📝 Redação CCN03 de junho de 2026 às 12:03👁 2 leituras
EUA ameaçam taxar 60 países por omissão contra trabalho forçado

Os Estados Unidos anunciaram que podem impor tarifas sobre 60 nações acusadas de não enfrentar adequadamente o comércio de produtos feitos com trabalho forçado. A lista inclui potências econômicas como Brasil, China e Reino Unido, além de outras economias asiáticas, africanas e sul-americanas.

A ação americana faz parte de um esforço mais amplo para coibir a exploração laboral em cadeias globais de produção. Washington argumenta que esses países não estão fazendo o suficiente para investigar, processar ou prevenir o trabalho forçado em seus territórios ou nas importações que chegam aos EUA.

O trabalho forçado é um problema estrutural na economia global. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, cerca de 28 milhões de pessoas vivem em situação de trabalho forçado no mundo. Muitas delas produzem bens que acabam em prateleiras de supermercados americanos e de outros países desenvolvidos. Setores como têxtil, agricultura, mineração e manufatura são particularmente afetados.

O Brasil aparece na lista porque, segundo os EUA, há falhas na fiscalização de empresas envolvidas em práticas exploratórias. O país tem registros históricos de trabalho escravo contemporâneo, especialmente na pecuária, agricultura e construção. Embora o Brasil tenha avançado com operações de resgate e processos judiciais contra empregadores exploradores, Washington entende que os esforços ainda são insuficientes.

A China é acusada de práticas generalizadas de trabalho forçado, incluindo denúncias documentadas envolvendo minorias étnicas em regiões específicas. O Reino Unido, apesar de ser economia avançada, é questionado pela sua capacidade de fiscalização de cadeias de suprimento que operam em seu território ou ligadas a empresas britânicas.

Os EUA já possuem legislação que restringe importações de produtos feitos com trabalho forçado. A lei americana estabelece uma presunção de que toda produção envolvendo essa prática é ilegal para fins de importação. Porém, os americanos argumentam que apenas punir empresas privadas não é suficiente. Eles querem que governos estrangeiros atuem com mais rigor na perseguição legal e na prevenção.

A ameaça de tarifas é um instrumento de pressão política. Se aplicadas, as taxas encareceriam produtos importados desses países, afetando consumidores americanos e prejudicando exportadores locais. Para o Brasil, uma potência em commodities e produtos agroindustriais, isso representaria perda de mercado e receita.

Para Tocantins, estado com economia baseada em agropecuária e mineração, a medida poderia ter impactos indiretos. Se o Brasil receber sanções por trabalho forçado na pecuária, propriedades tocantinenses que abastecem cadeias de exportação poderiam enfrentar barreiras comerciais ou maior escrutínio internacional.

O anúncio dos EUA reflete tensões crescentes sobre responsabilidade corporativa e estatal na economia global. Empresas multinacionais pressionam fornecedores a cumprir padrões éticos, mas auditores independentes frequentemente encontram irregularidades. Governos, por sua vez, enfrentam dificuldades para fiscalizar redes complexas de produção que atravessam múltiplas jurisdições.

Os próximos meses definirão se Washington realmente aplicará tarifas ou usará a ameaça como barganha em negociações comerciais. Alguns analistas apontam que o timing coincide com tensões comerciais já existentes entre EUA e China, sugerindo que a questão do trabalho forçado pode ser leveraged como ferramenta de negociação mais ampla.

Para países listados, a pressão agora é real. Eles precisarão demonstrar ao governo americano que estão intensificando operações contra exploração laboral, reforçando leis nacionais e aumentando a cooperação com órgãos internacionais de direitos humanos. Do contrário, sofrerão consequências econômicas em um mercado que ainda representa destino crucial para suas exportações.