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Brasil constrói sua própria infraestrutura de IA sem depender do exterior

Supercomputadores e nuvem nacional prometem reduzir custos e aumentar autonomia tecnológica do país 2024

📝 Redação CCN21 de agosto de 2026 às 12:22👁 2 leituras
Brasil constrói sua própria infraestrutura de IA sem depender do exterior

O Brasil deu um passo decisivo para deixar de depender de servidores estrangeiros em projetos que exigem alta capacidade computacional. A partir de agora, empresas e instituições públicas poderão usar uma infraestrutura nacional de supercomputação e nuvem para desenvolver soluções em inteligência artificial, sem precisar contratar serviços no exterior.

A mudança afeta diretamente setores que dependem de processamento pesado, como pesquisa científica, indústria 4.0 e até mesmo a gestão de políticas públicas. Empresas tocantinenses que atuam com big data, por exemplo, poderão reduzir custos com servidores internacionais, enquanto universidades locais ganham mais agilidade em projetos de ciência de dados. A novidade também interessa ao governo estadual, que poderá usar a estrutura para analisar dados de saúde, segurança ou educação com maior eficiência.

A infraestrutura nacional já está em fase avançada de implementação. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou recentemente a conclusão de dois supercomputadores — um em São Paulo e outro no Rio Grande do Sul — que juntos somam capacidade para processar milhões de operações por segundo. Além disso, o governo federal lançou a Nuvem Brasil, uma plataforma de armazenamento e processamento de dados que promete ser acessível a estados e municípios.

Para o Tocantins, a novidade pode significar uma economia significativa. Projetos que antes dependiam de servidores nos Estados Unidos ou na Europa, como modelagem climática ou análise de dados epidemiológicos, agora poderão ser executados localmente. A Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento (Seplan) já estuda parcerias para integrar a Nuvem Brasil aos sistemas estaduais, o que poderia agilizar a liberação de recursos para obras e serviços públicos.

A iniciativa também chega em um momento oportuno para o setor privado. Empresas de Palmas e do interior, como as do Polo Industrial de Porto Nacional, poderão usar a infraestrutura nacional para desenvolver soluções de IA sem precisar investir em hardware próprio. Isso reduz barreiras para startups e pequenas empresas que não têm orçamento para comprar servidores de alta performance.

O projeto faz parte do Plano Nacional de Inteligência Artificial, lançado em 2021, que prevê investimentos de R$ 2 bilhões até 2026. Segundo o MCTI, a meta é tornar o Brasil autossuficiente em tecnologia de ponta, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras. "A infraestrutura nacional de IA vai permitir que o país desenvolva suas próprias tecnologias, sem precisar importar soluções prontas", afirmou um dos coordenadores do projeto, que preferiu não ser identificado.

Para o Tocantins, a novidade pode ser um divisor de águas. A Universidade Federal do Tocantins (UFT), por exemplo, poderá usar os supercomputadores para pesquisas em agronomia e meio ambiente, áreas estratégicas para o estado. Além disso, a Defesa Civil do Tocantins poderá contar com sistemas mais rápidos para prever enchentes e deslizamentos, melhorando a resposta a emergências.

A expectativa é que a infraestrutura esteja plenamente operacional até o final de 2024. Enquanto isso, o governo federal já abriu chamadas públicas para que estados e municípios se inscrevam no uso da Nuvem Brasil. Em Palmas, a Secretaria Municipal de Tecnologia da Informação (Semti) já manifestou interesse em participar, visando modernizar os sistemas da prefeitura.

O próximo passo é a capacitação de profissionais locais para operar a nova infraestrutura. O MCTI anunciou a criação de cursos e workshops para técnicos de todo o país, incluindo o Tocantins. A ideia é garantir que a mão de obra local esteja preparada para tirar o máximo proveito da tecnologia.

A iniciativa também pode atrair investimentos para o estado. Empresas de tecnologia interessadas em usar a infraestrutura nacional poderão se instalar no Tocantins, aproveitando a mão de obra qualificada e os incentivos fiscais oferecidos pelo governo estadual. Isso poderia impulsionar a economia local, especialmente em setores como software e serviços digitais.

Enquanto a infraestrutura não chega ao estado, empresas e instituições tocantinenses ainda dependem de soluções estrangeiras. Mas com a implementação dos supercomputadores e da Nuvem Brasil, o cenário deve mudar rapidamente. O desafio agora é garantir que o acesso seja democrático e que todos os setores possam se beneficiar da nova tecnologia.