Jacaré Joãozinho vira atração em rio do oeste tocantinense
Jovem flagra aproximação de jacaré-açu em Caseara durante pescaria e bióloga explica o comportamento do animal 22 anos, 2024, Rio dos Mangues

Um jacaré-açu que já virou personagem de vídeos nas redes sociais do Tocantins voltou a chamar atenção na última semana. O animal, apelidado de "Joãozinho" por moradores e pescadores da região, chamou a atenção de Arthur Wieczorek, 22 anos, durante uma pescaria no Rio dos Mangues, em Caseara, no oeste do estado. O vídeo, compartilhado pelo jovem, mostra o réptil se aproximando da margem do rio enquanto Wieczorek o chama, criando uma cena que mistura curiosidade e um certo susto para quem não está acostumado com a presença do animal.
O encontro não foi uma surpresa para quem conhece a rotina do local. Caseara, cidade a cerca de 400 km de Palmas, é conhecida por suas águas calmas e pela diversidade de fauna, especialmente répteis. O Rio dos Mangues, que corta a região, é um dos principais pontos de pesca amadora e profissional da área, atraindo moradores e visitantes em busca de peixes como tucunaré e piranha. Para os pescadores locais, a presença de jacarés é comum, mas a interação com eles nem sempre é tranquila. "A gente já viu jacaré aqui várias vezes, mas nunca tão perto assim", contou Wieczorek ao *Capital da Notícia*. Ele explicou que, no momento do vídeo, o animal parecia interessado nos peixes que ele havia capturado, mas não ofereceu risco. "Ele só veio até a beira, olhou e foi embora", disse.
A cena, no entanto, levantou dúvidas entre quem assistiu ao vídeo. Afinal, por que um jacaré-açu, espécie conhecida por seu comportamento agressivo em situações de confronto, se aproximaria de humanos sem demonstrar hostilidade? A bióloga Barthira Rezende de Oliveira, que atua em projetos de conservação de fauna no Tocantins, esclareceu o fenômeno. Segundo ela, a aproximação do animal não é um sinal de amizade, mas sim uma resposta condicionada pela expectativa de alimento. "Os jacarés têm uma memória associativa muito forte. Se eles associam humanos a comida, seja por restos jogados na água ou por pescadores que oferecem peixes, eles podem se aproximar", explicou a especialista. Barthira destacou ainda que, em ambientes naturais, os jacarés evitam contato com humanos, mas a presença constante de pessoas pode alterar esse comportamento, tornando-os mais ousados.
Para os moradores de Caseara e das cidades vizinhas, como Guaraí e Miracema do Tocantins, a história de Joãozinho não é novidade. O animal já era conhecido por frequentar as margens do rio há meses, segundo relatos de pescadores. A bióloga reforçou a importância de não alimentar os jacarés ou jogar lixo na água, prática que pode agravar o problema. "Isso não só coloca em risco as pessoas, como também prejudica a saúde do ecossistema", alertou. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins (Naturatins) já foi acionada em casos semelhantes, mas não há registros de ocorrências graves envolvendo o animal até o momento.
A pescaria de Wieczorek não terminou em acidente, mas o episódio serve como um lembrete para quem frequenta rios e lagos do Tocantins. A interação com animais silvestres, mesmo aqueles que parecem inofensivos, exige cuidados. Barthira orienta que, em caso de aproximação de jacarés, o ideal é manter distância e não alimentá-los. "Eles são predadores naturais e, se associam humanos a comida, podem se tornar um problema", afirmou. Para os moradores da região, a presença de Joãozinho já faz parte do cotidiano, mas a história reforça a necessidade de respeitar o espaço da fauna local.
Enquanto isso, Wieczorek segue compartilhando suas experiências nas redes sociais, atraindo curiosidade e até mesmo pedidos para que o animal seja batizado oficialmente. "Acho engraçado como as pessoas já estão chamando ele de Joãozinho", brincou o jovem. Para a bióloga, o caso é um exemplo de como a convivência entre humanos e animais silvestres precisa ser equilibrada. "O Tocantins tem uma biodiversidade incrível, mas é preciso que a gente saiba viver ao lado dela sem prejudicar ninguém", concluiu Barthira.
A história de Joãozinho, o jacaré que virou estrela nas redes, segue rendendo conversas entre moradores e pescadores, enquanto a Naturatins monitora a situação para evitar que o animal se torne um risco para a população local.