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Câmeras em bebedouros monitoram a fauna do cerrado tocantinense

Projeto coloca água e vigilância noturna em pontos estratégicos do sul do Estado para estudar hábitos de animais silvestres

📝 Redação CCN13 de setembro de 2026 às 13:00👁 6 leituras
Câmeras em bebedouros monitoram a fauna do cerrado tocantinense

Bebedouros equipados com câmeras de visão noturna foram instalados recentemente em áreas de cerrado no sul do Tocantins, com o objetivo de oferecer água aos animais e, ao mesmo tempo, registrar seu comportamento.

A iniciativa, desenvolvida por equipes de pesquisa da região, consiste em cavar um buraco de 50 a 60 cm de profundidade, revesti‑lo com cimento e instalar um reservatório de água próximo a um comedouro artificial. Cada estrutura recebe um pequeno aparelho que grava 24 horas por dia, inclusive nas horas mais escuras, graças à tecnologia infravermelha. O conjunto foi pensado para atrair mamíferos, aves e répteis que circulam pelos fragmentos de vegetação nativa, permitindo que biólogos acompanhem rotinas de alimentação, horários de visita e interações entre espécies.

O que motivou a criação desses pontos de água foi a escassez de fontes confiáveis durante a estação seca, que costuma ser mais rígida no interior do estado. Sem um abastecimento estável, muitos animais recorrem a poços artesianos ou a áreas agrícolas, o que aumenta o risco de conflitos com o homem. Ao prover um recurso vital em locais controlados, o projeto reduz a necessidade de deslocamento dos animais e, simultaneamente, gera um banco de imagens que ajuda a mapear a presença de espécies ameaçadas, como o tamanduá‑bandeira e o veado‑campeiro.

Para os moradores das cidades vizinhas, como Araguaína e Palmas, o efeito prático já se sente nos campos e nas estradas de terra. Agricultores relatam menos incursões de animais famintos em plantações de soja e milho, enquanto guardas florestais contam que as gravações facilitaram a identificação de rotas de migração e a localização de ninhos vulneráveis. Além do benefício direto à fauna, a coleta de dados alimenta programas de educação ambiental nas escolas públicas do sul do estado, que utilizam trechos das filmagens para ilustrar a biodiversidade local.

Os números divulgados pelos responsáveis apontam que, desde a primeira implantação, cerca de quinze bebedouros já estão em operação. Cada unidade captura milhares de imagens mensais, armazenadas em servidores mantidos por universidades da região. As gravações revelam padrões inesperados, como a preferência de certas aves por horários ao entardecer e a presença de pequenos mamíferos noturnos que antes passavam despercebidos pelos estudos de campo tradicionais.

Com a base de dados crescendo, a próxima fase do projeto prevê a ampliação para outras áreas críticas do estado, sobretudo nas zonas de transição entre cerrado e mata atlântica. Os pesquisadores também planejam integrar sensores de temperatura e umidade ao sistema, o que permitirá correlacionar o clima com o comportamento animal. Caso os resultados continuem a mostrar redução de conflitos e maior conhecimento sobre a fauna, a proposta pode servir de modelo para outras unidades da Região Norte, contribuindo para a conservação de ecossistemas que enfrentam pressão de expansão agrícola e urbana.

A expectativa é que, nos próximos meses, novos relatórios detalhem as espécies mais observadas e indiquem ajustes finos nas estratégias de alimentação artificial. Enquanto isso, as câmeras permanecem silenciosas, mas vigilantes, registrando a vida que pulsa sob o céu do cerrado tocantinense.