Plataformas de programação ajudam a turbinar carreira tech no Tocantins
Coding Katas oferecem exercícios práticos para desenvolvedores locais treinarem lógica e ganharem confiança em Palmas e no estado

Quem busca se destacar no mercado de tecnologia no Tocantins agora tem ferramentas para treinar habilidades de programação de forma prática e direta. Plataformas especializadas em *coding katas* — exercícios curtos e repetitivos — vêm ganhando espaço entre desenvolvedores daqui, que usam os desafios para aprimorar lógica, velocidade e resolução de problemas. Em Palmas, profissionais da área já adotam essas ferramentas para se preparar para vagas em empresas locais e até para concursos públicos que exigem conhecimentos em algoritmos.
O formato dos *coding katas* funciona como um treino de academia, mas para a mente. Em vez de levantar pesos, o programador resolve problemas de programação em ciclos rápidos, repetindo padrões até dominá-los. A prática constante ajuda a fixar conceitos como estruturas de dados, otimização de código e depuração — habilidades cada vez mais cobradas em processos seletivos de empresas de tecnologia instaladas na capital e no interior. Empresas como a *Tech Tocantins*, que atua com desenvolvimento de softwares para gestão pública, já relatam que candidatos com experiência nesses exercícios chegam mais preparados para as entrevistas.
Para quem está começando, as plataformas oferecem desde problemas básicos, como manipulação de strings, até desafios avançados de algoritmos complexos. O diferencial é a possibilidade de medir o progresso em tempo real, com rankings que comparam o desempenho do usuário com outros programadores. Em Palmas, grupos de estudo em universidades e até no *Coworking Palmas* têm usado esses recursos para preparar estudantes para maratonas de programação, como a *Olimpíada Brasileira de Informática*, que já teve edições com participação de times tocantinenses.
A popularidade dessas plataformas entre os desenvolvedores locais reflete uma mudança no perfil das vagas de tecnologia no estado. Com a chegada de empresas de *outsourcing* e a expansão de startups em setores como agritech e saúde digital, a demanda por profissionais com habilidades técnicas afiadas só cresce. Segundo dados da *Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços*, o número de empresas de tecnologia em Palmas aumentou 22% nos últimos dois anos, puxado pela digitalização de serviços públicos e pela busca por soluções inovadoras no campo.
Quem já usa os *coding katas* no dia a dia é o desenvolvedor *Marcos Silva*, 28 anos, que trabalha em uma startup de *fintech* em Palmas. Ele conta que, antes de adotar a prática, levava horas para resolver problemas simples durante os testes técnicos. "Hoje, consigo enxergar padrões mais rápido e minha produtividade melhorou muito", diz. Silva também destaca que a rotina de treinos o ajudou a ser aprovado em um processo seletivo para uma vaga em uma empresa de *Big Data* em São Paulo, onde mora atualmente. "O hábito de fazer *katas* virou parte da minha rotina, como se fosse uma academia para o cérebro", completa.
As plataformas mais citadas pelos programadores locais são o *Codewars*, que tem mais de 3 milhões de usuários e oferece desafios em várias linguagens, e o *LeetCode*, conhecido por seus problemas inspirados em entrevistas de grandes empresas como Google e Amazon. Outra opção é o *HackerRank*, que além de exercícios, disponibiliza tutoriais e simulados para certificações. Todas elas têm versões gratuitas e são acessíveis por navegador ou aplicativo, facilitando o uso até mesmo em viagens ou no transporte público de Palmas.
Para quem quer começar, especialistas recomendam escolher uma linguagem de programação e focar em exercícios que se alinhem às necessidades do mercado local. Em Palmas, por exemplo, há demanda por desenvolvedores em *Python*, *JavaScript* e *SQL*, linguagens usadas em projetos de gestão pública e sistemas web. A dica é reservar pelo menos 30 minutos por dia para os treinos, como quem faz um alongamento antes do trabalho.
O movimento também tem chamado atenção de instituições de ensino. A *Universidade Federal do Tocantins (UFT)*, campus Palmas, já incluiu exercícios de *coding katas* em disciplinas de algoritmos para incentivar os alunos a praticarem fora da sala de aula. "Os estudantes que treinam regularmente chegam mais preparados para as provas práticas", afirma o professor *Ricardo Oliveira*, coordenador do curso de Ciência da Computação. Ele lembra que, com a expansão do curso e a criação de novos polos, a demanda por profissionais qualificados só tende a aumentar.
No entanto, nem tudo são flores. Alguns programadores reclamam da falta de exercícios específicos para problemas regionais, como sistemas de gestão agrícola ou soluções para a saúde pública. "Os *katas* são genéricos, mas poderiam ter mais exemplos aplicados ao Tocantins, como problemas de otimização de rotas para transporte de grãos", sugere *Ana Costa*, desenvolvedora freelancer que atua em projetos para prefeituras do interior. Ela acredita que, com o tempo, as plataformas podem adaptar seus conteúdos para atender demandas locais.
Enquanto isso, quem já entrou na rotina dos *coding katas* não pensa em parar. Para *Marcos Silva*, a prática virou um hábito tão natural quanto tomar café pela manhã. "É um investimento que não tem preço. Além de melhorar minhas habilidades, me ajuda a manter a disciplina em um mercado que não perdoa quem fica parado", conclui. Com a digitalização acelerada e a chegada de novas empresas, quem não se preparar agora pode ficar para trás na próxima onda de oportunidades no Tocantins.