Auditor é preso em flagrante por cobrar propina em redução de IPTU no Tocantins
Servidor público foi flagrado pedindo vantagem indevida para abater valor de imóvel em 2024

Um auditor da Secretaria da Fazenda do Tocantins foi preso em flagrante na manhã desta terça-feira, 10, após ser flagrado cobrando R$ 50 mil de um contribuinte para reduzir o valor do IPTU de um imóvel na capital. A operação, coordenada pela Polícia Civil em parceria com o Ministério Público Estadual, aconteceu no prédio da Secretaria da Fazenda, em Palmas, e resultou na prisão do servidor por crime de corrupção passiva.
Segundo informações da Polícia Civil, o auditor teria entrado em contato com o proprietário do imóvel, um empresário da região sul de Palmas, e exigido o pagamento da propina em troca de um laudo técnico que reduziria artificialmente o valor venal do imóvel, diminuindo assim o imposto devido. O contribuinte, desconfiado da proposta, gravou a conversa e procurou a polícia, que montou um esquema de flagrante. Durante a abordagem, o servidor foi encontrado com R$ 20 mil em espécie, parte do valor prometido, e documentos que comprovavam a tentativa de fraude.
O delegado responsável pelo caso, que pediu para não ser identificado, afirmou que a prisão ocorreu sem resistência. "O material apreendido e as gravações deixam claro que não se tratava de um mal-entendido, mas de uma prática criminosa bem estruturada", declarou. O auditor foi encaminhado à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Administração Pública, onde foi autuado em flagrante. A Secretaria da Fazenda do Tocantins emitiu nota oficial confirmando a prisão do servidor e informando que ele já estava afastado das funções desde o início das investigações.
O caso expõe mais uma vez os riscos da corrupção no setor público estadual, especialmente em um momento em que o governo tenta equilibrar as contas e aumentar a arrecadação. Em 2023, o Tocantins registrou um déficit de R$ 1,2 bilhão nas contas públicas, segundo dados da Secretaria do Planejamento. A redução indevida de impostos, além de prejudicar os cofres estaduais, distorce a concorrência entre empresas e proprietários de imóveis, que pagam seus tributos em dia.
Para o contribuinte que denunciou o esquema, a prisão representa um alívio. "Eu não podia aceitar pagar propina para algo que é meu direito. Se todos fizessem isso, o estado não teria como funcionar", disse o empresário, que preferiu não ser identificado. A Polícia Civil informou que a investigação continua para identificar possíveis envolvidos e apurar se houve participação de terceiros no esquema.
A prisão do auditor levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle interno da Secretaria da Fazenda. Em 2022, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO) já havia alertado para falhas nos sistemas de fiscalização de IPTU em municípios tocantinenses, incluindo Palmas. Segundo o relatório, pelo menos 30% dos imóveis da capital tinham valores venais subavaliados, o que representava uma perda de R$ 15 milhões por ano aos cofres municipais.
O Ministério Público Estadual, que acompanha o caso, deve apresentar denúncia nos próximos dias. Se condenado, o auditor pode pegar até oito anos de prisão, além de multa e perda do cargo público. A Polícia Civil não descarta a possibilidade de novas prisões, caso sejam identificados outros servidores ou intermediários no esquema.
O episódio reforça a necessidade de transparência nos órgãos públicos, especialmente em um estado como o Tocantins, que depende fortemente da arrecadação de impostos para financiar saúde, educação e segurança. A população, que já convive com serviços públicos sobrecarregados, não pode arcar com os prejuízos causados por quem deveria zelar pelo dinheiro dos contribuintes.
A Secretaria da Fazenda informou que está revisando todos os processos de IPTU dos últimos cinco anos para verificar possíveis irregularidades. Enquanto isso, a corregedoria interna da pasta já iniciou um pente-fino nos servidores lotados na área de fiscalização de imóveis.
A Polícia Civil deve concluir o inquérito em até 30 dias, quando o caso será remetido à Justiça. O Ministério Público já adiantou que pedirá o bloqueio de bens do servidor, caso haja indícios de enriquecimento ilícito. O caso será acompanhado de perto pela população, que exige respostas rápidas e efetivas contra a corrupção no serviço público.