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Babaçu no Salão do Artesanato: quebradeiras do Tocantins brilham em Brasília

Artesã de Tocantinópolis expõe peça de babaçu no 17º Salão do Artesanato, em Brasília, destacando cultura local

📝 Redação CCN16 de junho de 2026 às 11:24👁 1 leituras
Babaçu no Salão do Artesanato: quebradeiras do Tocantins brilham em Brasília

No coração de Brasília, uma artesã do Tocantins mostrou ao país o que as quebradeiras de coco babaçu já sabem há gerações: a força de um ofício que vai muito além do sustento. Maria da Conceição Silva, moradora de Tocantinópolis, levou até o 17º Salão do Artesanato uma peça feita com fibra de babaçu, um material que carrega história, resistência e identidade. A exposição, que reuniu trabalhos de todo o Brasil, não foi apenas uma vitrine de produtos, mas um reconhecimento público do papel dessas mulheres na cultura tocantinense.

O babaçu não é só uma palmeira comum no cerrado tocantinense. Para centenas de famílias, especialmente aquelas que vivem nas regiões Norte e Nordeste do estado, a quebra do coco é uma atividade que sustenta lares, preserva tradições e movimenta a economia local. Em Tocantinópolis, cidade conhecida pela forte presença de quebradeiras, o ofício é passado de mãe para filha, como um legado que não pode se perder. A peça exposta por Maria da Conceição, feita com fibra trançada e tingida naturalmente, chamou a atenção justamente por mostrar como o material, antes visto como simples, pode se transformar em arte de valor cultural e comercial.

O Salão do Artesanato, realizado anualmente pelo Ministério da Cultura, é um dos principais espaços para valorizar o trabalho manual brasileiro. Neste ano, o Tocantins levou não só Maria da Conceição, mas também outros artesãos que representam a diversidade do estado. A participação no evento não é apenas uma oportunidade de venda, mas uma chance de mostrar ao Brasil que o Tocantins tem muito mais a oferecer do que apenas belezas naturais. Para as quebradeiras, a exposição em Brasília é um passo importante para garantir visibilidade e, quem sabe, abrir portas para novos mercados.

A fibra de babaçu já é usada há décadas pelas quebradeiras para fazer cestos, peneiras, tapetes e até mesmo brinquedos. O processo de extração e transformação do material é trabalhoso: primeiro, o coco é quebrado com um facão ou pedra; depois, a fibra é separada e lavada; por fim, é seca ao sol e tingida com cores naturais, como o urucum ou a casca de jenipapo. Cada peça carregada por Maria da Conceição até Brasília levou dias para ficar pronta, mas o resultado foi um trabalho que uniu técnica ancestral e criatividade moderna.

Para o Tocantins, o reconhecimento do babaçu como matéria-prima artesanal pode significar mais do que prestígio. A atividade já movimenta pequenas cooperativas em cidades como Araguatins, Augustinópolis e Xambioá, onde grupos de mulheres se organizam para vender seus produtos em feiras e lojas de artesanato. Com a exposição em Brasília, a expectativa é que novos compradores e encomendas cheguem, fortalecendo não só a renda dessas famílias, mas também a preservação de uma cultura que está ameaçada pelo avanço do agronegócio e pela falta de políticas públicas específicas.

O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, tem apoiado iniciativas como a de Maria da Conceição. Em 2023, o estado investiu em cursos de capacitação para quebradeiras, ensinando técnicas de tingimento, modelagem e comercialização. A ideia é que o artesanato com babaçu não fique restrito a feiras locais, mas conquiste espaço em lojas de decoração, hotéis e até mesmo no mercado internacional. "O babaçu é nossa riqueza, mas precisamos mostrar ao mundo que ele pode ser muito mais do que um simples coco", afirmou a secretária de Cultura, Célia Ribeiro, durante a abertura do Salão do Artesanato.

Para as quebradeiras, a exposição em Brasília é apenas o começo. Em Tocantinópolis, um grupo de mulheres já planeja criar uma cooperativa para vender os produtos online, ampliando o alcance além das fronteiras do estado. A meta é que, em dois anos, o artesanato com babaçu seja reconhecido como um selo de qualidade do Tocantins, assim como o artesanato em cerâmica de Peixe ou as rendas de Monte do Carmo. Enquanto isso, Maria da Conceição volta para casa com a certeza de que o esforço valeu a pena: "Levei um pedaço do Tocantins para Brasília, e agora o Tocantins vai levar um pedaço de mim para o Brasil", disse ela, emocionada, ao final da exposição.

A próxima edição do Salão do Artesanato já tem data marcada: será em agosto de 2025. Até lá, o Tocantins deve preparar uma delegação ainda maior, com mais artesãos e peças que representem a diversidade do estado. Enquanto isso, nas quebradeiras de coco babaçu, a rotina continua: o facão corta o coco, a fibra é trançada com cuidado, e a história do Tocantins segue sendo tecida, palha por palha.