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Araguaína lança projeto social para moradores dos Residenciais Martin Jorge e São Miguel

Prefeitura inicia ações de capacitação e acompanhamento para famílias que vão se mudar para os empreendimentos habitacionais

📝 Redação CCN15 de julho de 2026 às 17:15👁 4 leituras
Araguaína lança projeto social para moradores dos Residenciais Martin Jorge e São Miguel

A Prefeitura de Araguaína deu início nesta semana ao Projeto Social voltado para as famílias que serão beneficiadas com os apartamentos dos Residenciais Martin Jorge e São Miguel. A iniciativa, coordenada pela Secretaria Municipal de Assistência Social, tem como objetivo preparar os moradores para a nova realidade que se aproxima, garantindo não apenas o acesso à moradia, mas também a inclusão social e a autonomia financeira das famílias.

A ação começou com a seleção das primeiras 150 famílias que já foram notificadas sobre a entrega dos imóveis, prevista para os próximos meses. Segundo informações da gestão municipal, o projeto inclui oficinas de geração de renda, palestras sobre direitos e deveres do novo condomínio, além de orientações sobre saúde, educação e segurança. A ideia é evitar que a mudança para os residenciais se transforme em um problema, como já ocorreu em outros empreendimentos semelhantes no estado, onde a falta de planejamento levou a conflitos entre vizinhos e dificuldades de adaptação.

Para a secretária municipal de Assistência Social, Marília Costa, o projeto é uma forma de garantir que a política habitacional não se limite apenas à entrega das chaves. "Não adianta construir casas se não prepararmos as famílias para viver nelas. Queremos que esses residenciais sejam verdadeiros lares, com respeito e organização", afirmou. A gestora destacou ainda que as oficinas serão ministradas por profissionais da própria prefeitura, com apoio de parceiros como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus Araguaína.

Os residenciais Martin Jorge e São Miguel fazem parte do programa Minha Casa Minha Vida e somam 300 unidades habitacionais, divididas igualmente entre os dois empreendimentos. Localizados nos bairros Jardim América e Setor Sul, respectivamente, os condomínios foram construídos com recursos federais e estaduais, e a prefeitura estima que mais de 1.200 pessoas serão beneficiadas diretamente com a iniciativa. A entrega dos primeiros apartamentos está prevista para o final de outubro, mas a prefeitura já iniciou o cadastramento das famílias que ainda não foram contempladas, seguindo a lista de espera do programa.

A preocupação com a integração das famílias não é nova em Araguaína. Em 2022, a prefeitura já havia implementado um projeto semelhante no Residencial Sol Nascente, também no Setor Sul, onde foram registrados casos de desentendimentos entre moradores devido à falta de regras claras e de um trabalho de conscientização prévio. "Aprendemos com os erros do passado. Agora, estamos agindo antes mesmo das famílias se mudarem", explicou um técnico da Secretaria de Assistência Social que participou da elaboração do projeto.

As oficinas de capacitação começaram nesta segunda-feira (10) e serão realizadas em dois turnos, manhã e tarde, para facilitar a participação de quem já trabalha. Entre os temas abordados estão a gestão financeira doméstica, a importância da participação em reuniões de condomínio e a prevenção de doenças como dengue e leptospirose, comuns em áreas com grande concentração de pessoas. A prefeitura também disponibilizou um canal de comunicação direto com a equipe do projeto, por meio do telefone 3411-1234, para tirar dúvidas e receber sugestões das famílias.

Para os moradores que ainda não foram chamados, a espera pode ser longa. Segundo a Secretaria de Habitação, a lista de espera para os residenciais Martin Jorge e São Miguel já ultrapassa 500 famílias, todas cadastradas desde 2021. A prioridade, no entanto, é atender aqueles que já foram selecionados para a primeira leva, mas a prefeitura garante que o projeto social será estendido assim que os próximos grupos forem definidos.

A iniciativa em Araguaína reflete uma tendência crescente no Tocantins, onde prefeituras e governos estaduais têm buscado formas de integrar políticas habitacionais com ações sociais. Em Palmas, por exemplo, o programa Moradia Cidadã, lançado em 2023, já atendeu mais de 800 famílias com cursos de qualificação profissional e acompanhamento psicossocial. "A moradia digna não pode ser vista de forma isolada. Ela precisa estar ligada a outras políticas públicas para que o impacto seja real", afirmou um assessor da Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça.

Os próximos passos do projeto em Araguaína incluem a realização de visitas domiciliares para as famílias já selecionadas, a fim de identificar necessidades específicas e adaptar as oficinas. Além disso, a prefeitura estuda a possibilidade de criar uma cooperativa de moradores para gerir pequenos comércios dentro dos residenciais, como forma de fomentar a economia local e reduzir a dependência de empregos formais, muitas vezes escassos na região. A entrega dos primeiros apartamentos, marcada para outubro, será o primeiro grande teste para verificar se o projeto social conseguiu atingir seus objetivos.

Enquanto isso, nas ruas dos bairros Jardim América e Setor Sul, a expectativa é grande. "Estou ansioso para sair do aluguel e ter um lugar meu, mas também tenho medo de não dar conta das contas do condomínio", confessou João Silva, 42 anos, um dos beneficiários já notificados. Sua fala resume o sentimento de muitos: a esperança de uma vida melhor, mas também a insegurança que acompanha a mudança para um novo lar.