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Onça-pintada é flagrada na Ilha do Bananal após meses de busca

Registro raro do maior felino das Américas foi feito por projeto de monitoramento ambiental na madrugada de 28 de abril

📝 Redação CCN17 de junho de 2026 às 11:10👁 1 leituras
Onça-pintada é flagrada na Ilha do Bananal após meses de busca

Na madrugada de 28 de abril, um momento histórico para a fauna tocantinense aconteceu na Ilha do Bananal. Uma onça-pintada, o maior felino das Américas, foi registrada caminhando em seu habitat natural por pesquisadores do projeto "Tucãtins Silvestre". O flagrante ocorreu por volta da 1h da manhã, horário em que esses animais costumam se movimentar, segundo os responsáveis pelo monitoramento iniciado em setembro de 2025.

O registro não foi obra do acaso. Desde setembro do ano passado, a equipe do projeto tem percorrido a região com câmeras de monitoramento, armadilhas fotográficas e estações de cheiro para rastrear a presença de animais silvestres. A onça-pintada, que tem hábitos noturnos e é extremamente discreta, só foi capturada após meses de paciência e trabalho minucioso. "É um achado raro e significativo, não só para a ciência, mas para todo o Tocantins", afirmou um dos coordenadores do projeto, que preferiu não ser identificado. O animal foi flagrado em uma área de mata densa, onde a presença humana é mínima, o que reforça a importância da conservação daquele ecossistema.

Para quem vive no Tocantins, especialmente nas regiões próximas à Ilha do Bananal, como Formoso do Araguaia e Lagoa da Confusão, a notícia traz um misto de orgulho e preocupação. Orgulho porque o estado abriga uma espécie tão emblemática, que atrai olhares de pesquisadores e turistas interessados em ecoturismo. Preocupação porque a presença da onça-pintada também serve de alerta: o habitat dela está cada vez mais pressionado por atividades humanas, como desmatamento e expansão agrícola. "Esse registro mostra que ainda há vida selvagem preservada, mas também evidencia a necessidade de proteger essas áreas", destacou um biólogo que acompanha o projeto.

A Ilha do Bananal, localizada entre os rios Araguaia e Javaés, é conhecida por sua biodiversidade. Além de ser a maior ilha fluvial do mundo, ela abriga uma reserva da biosfera reconhecida pela UNESCO. O registro da onça-pintada reforça a importância de manter políticas de conservação ativas, como as desenvolvidas pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e pelo ICMBio. "A presença desse animal é um indicador de que o ecossistema está equilibrado, mas não podemos baixar a guarda", alertou um técnico do Naturatins, que não quis se identificar.

Os próximos passos do projeto "Tucãtins Silvestre" incluem a ampliação do monitoramento em outras áreas do estado, como o Parque Estadual do Cantão e a região do Jalapão. A equipe também planeja realizar palestras em escolas de Palmas e do interior para conscientizar crianças e jovens sobre a importância da preservação da fauna local. "Queremos que as novas gerações entendam que a onça-pintada não é apenas um símbolo, mas um termômetro da saúde do nosso meio ambiente", explicou um dos pesquisadores.

Para os moradores de Palmas e das cidades próximas, a notícia chega em um momento em que o debate sobre meio ambiente ganha força. Com obras como a duplicação da TO-050 e os projetos de irrigação no sudoeste do estado, a pressão sobre áreas naturais aumenta. A onça-pintada, portanto, não é apenas um registro raro: é um lembrete de que o desenvolvimento do Tocantins precisa caminhar lado a lado com a preservação.

O projeto "Tucãtins Silvestre" segue aberto a parcerias com universidades, ONGs e órgãos públicos. Quem quiser acompanhar os próximos registros ou colaborar com a iniciativa pode entrar em contato através das redes sociais do Naturatins ou do ICMBio. Enquanto isso, a onça-pintada segue sua trajetória noturna pela Ilha do Bananal, um sinal de que, mesmo em um estado em transformação, ainda há espaço para a natureza se manter viva e livre.