Onça-pintada é flagrada na Ilha do Bananal após meses de busca
Registro raro do maior felino das Américas foi feito por projeto de monitoramento ambiental na madrugada de 28 de abril

Na madrugada de 28 de abril, um momento histórico para a fauna tocantinense aconteceu na Ilha do Bananal. Uma onça-pintada, o maior felino das Américas, foi registrada caminhando em seu habitat natural por pesquisadores do projeto "Tucãtins Silvestre". O flagrante ocorreu por volta da 1h da manhã, horário em que esses animais costumam se movimentar, segundo os responsáveis pelo monitoramento iniciado em setembro de 2025.
O registro não foi obra do acaso. Desde setembro do ano passado, a equipe do projeto tem percorrido a região com câmeras de monitoramento, armadilhas fotográficas e estações de cheiro para rastrear a presença de animais silvestres. A onça-pintada, que tem hábitos noturnos e é extremamente discreta, só foi capturada após meses de paciência e trabalho minucioso. "É um achado raro e significativo, não só para a ciência, mas para todo o Tocantins", afirmou um dos coordenadores do projeto, que preferiu não ser identificado. O animal foi flagrado em uma área de mata densa, onde a presença humana é mínima, o que reforça a importância da conservação daquele ecossistema.
Para quem vive no Tocantins, especialmente nas regiões próximas à Ilha do Bananal, como Formoso do Araguaia e Lagoa da Confusão, a notícia traz um misto de orgulho e preocupação. Orgulho porque o estado abriga uma espécie tão emblemática, que atrai olhares de pesquisadores e turistas interessados em ecoturismo. Preocupação porque a presença da onça-pintada também serve de alerta: o habitat dela está cada vez mais pressionado por atividades humanas, como desmatamento e expansão agrícola. "Esse registro mostra que ainda há vida selvagem preservada, mas também evidencia a necessidade de proteger essas áreas", destacou um biólogo que acompanha o projeto.
A Ilha do Bananal, localizada entre os rios Araguaia e Javaés, é conhecida por sua biodiversidade. Além de ser a maior ilha fluvial do mundo, ela abriga uma reserva da biosfera reconhecida pela UNESCO. O registro da onça-pintada reforça a importância de manter políticas de conservação ativas, como as desenvolvidas pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e pelo ICMBio. "A presença desse animal é um indicador de que o ecossistema está equilibrado, mas não podemos baixar a guarda", alertou um técnico do Naturatins, que não quis se identificar.
Os próximos passos do projeto "Tucãtins Silvestre" incluem a ampliação do monitoramento em outras áreas do estado, como o Parque Estadual do Cantão e a região do Jalapão. A equipe também planeja realizar palestras em escolas de Palmas e do interior para conscientizar crianças e jovens sobre a importância da preservação da fauna local. "Queremos que as novas gerações entendam que a onça-pintada não é apenas um símbolo, mas um termômetro da saúde do nosso meio ambiente", explicou um dos pesquisadores.
Para os moradores de Palmas e das cidades próximas, a notícia chega em um momento em que o debate sobre meio ambiente ganha força. Com obras como a duplicação da TO-050 e os projetos de irrigação no sudoeste do estado, a pressão sobre áreas naturais aumenta. A onça-pintada, portanto, não é apenas um registro raro: é um lembrete de que o desenvolvimento do Tocantins precisa caminhar lado a lado com a preservação.
O projeto "Tucãtins Silvestre" segue aberto a parcerias com universidades, ONGs e órgãos públicos. Quem quiser acompanhar os próximos registros ou colaborar com a iniciativa pode entrar em contato através das redes sociais do Naturatins ou do ICMBio. Enquanto isso, a onça-pintada segue sua trajetória noturna pela Ilha do Bananal, um sinal de que, mesmo em um estado em transformação, ainda há espaço para a natureza se manter viva e livre.