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Rede Habibs pede recuperação judicial após 50 anos

Rede de restaurantes enfrenta crise financeira com dívidas e inflação em alta desde 2023

📝 Redação CCN26 de agosto de 2026 às 23:05👁 4 leituras
Rede Habibs pede recuperação judicial após 50 anos

A tradicional rede de restaurantes Habibs, que completa meio século de existência em 2024, protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça brasileira. A decisão, formalizada no início de junho, reflete um cenário de endividamento crescente e pressão sobre as operações diárias, agravado pela alta dos custos nos últimos dois anos.

A empresa, conhecida por seus pratos árabes como esfiha e quibe, acumulou dívidas que ultrapassam R$ 100 milhões, segundo documentos judiciais. A inflação sobre ingredientes e insumos, combinada à queda no faturamento em unidades próprias e franquias, acelerou a crise. Em 2023, a rede já havia fechado 12 lojas em diferentes estados, um movimento que, segundo relatos internos, não foi suficiente para conter as perdas. A recuperação judicial busca reorganizar as finanças e renegociar débitos com credores, incluindo fornecedores e bancos.

Para os donos de franquias e funcionários, a situação gera incerteza. Muitos franqueados, que investiram recursos próprios para abrir unidades, agora enfrentam a possibilidade de fechamento ou reestruturação de contratos. Um deles, que preferiu não se identificar, contou que a rede já não repassa verbas de marketing há meses e que o estoque de produtos básicos, como carne e especiarias, tem sofrido com atrasos nos pagamentos. "A gente não sabe se vai conseguir manter as portas abertas até o fim do ano", afirmou.

Os números revelam a extensão do problema. Em 2022, a Habibs faturava cerca de R$ 800 milhões anuais, mas a queda nas vendas levou a uma redução de 30% no faturamento em 2023. A rede, que chegou a ter 150 restaurantes espalhados pelo país, hoje opera com menos de 120 unidades. A pressão sobre os preços dos alimentos, que subiram 15% em média no período, também encareceu os pratos e afastou clientes habituais, acostumados a pagar R$ 0,50 por uma esfiha há décadas.

A recuperação judicial não é a primeira tentativa de salvar a marca. Em 2021, a empresa tentou renegociar dívidas com bancos, mas a estratégia não surtiu efeito. Agora, o processo judicial deve durar meses, com audiências para definir um plano de pagamento e possíveis cortes de gastos. A Justiça já nomeou um administrador judicial para supervisionar as operações durante a reestruturação.

O futuro da rede depende de acordos rápidos com credores e da capacidade de atrair novos investidores. Enquanto isso, clientes em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte já relatam dificuldades para encontrar unidades abertas ou pratos com os preços antigos. A marca, que já foi sinônimo de comida rápida acessível, agora precisa redefinir seu modelo para sobreviver.

A situação da Habibs contrasta com o crescimento de redes de fast-food internacionais no Brasil, que apostam em delivery e preços competitivos. Especialistas do setor, ouvidos pela imprensa, destacam que a crise da rede árabe reflete desafios comuns a outros negócios familiares brasileiros: endividamento, falta de sucessão profissionalizada e dificuldade para se adaptar a mudanças no comportamento do consumidor.

A próxima etapa é a apresentação de um plano de recuperação pela administração judicial, que deve incluir cortes de custos e possíveis vendas de ativos. Até lá, a incerteza paira sobre funcionários, franqueados e clientes que, por gerações, fizeram da Habibs parte de suas rotinas.