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Idosa com Alzheimer colou grau em Pedagogia aos 71 anos

Conceição de Maria Sousa Soares se formou na UFMA após oito anos de estudo, cercada pela família

📝 Redação CCN27 de agosto de 2026 às 17:21👁 5 leituras
Idosa com Alzheimer colou grau em Pedagogia aos 71 anos

Aos 71 anos, Conceição de Maria Sousa Soares realizou um sonho que levou oito anos para se concretizar. Na última semana, ela colou grau no curso de Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em Imperatriz, cercada por familiares e professores. A cerimônia marcou não apenas a conclusão de uma graduação, mas também um exemplo de determinação em meio a um diagnóstico de Alzheimer, recebido há três anos.

O caminho até o diploma não foi fácil. Conceição ingressou na faculdade em 2016, quando ainda não havia sinais da doença. Os primeiros sintomas começaram a aparecer dois anos depois, mas ela seguiu em frente, adaptando-se às dificuldades com a ajuda da família e da instituição. "Eu estava ali pensando e digo: ‘Meu Deus, eu busquei o melhor para mim. Não fico pensando em doença, não fico pensando em nada’", contou, emocionada, durante a cerimônia.

A formatura reuniu cerca de 30 pessoas, entre familiares, colegas e professores. Entre os presentes, estava a filha de Conceição, que acompanhou cada etapa do processo. A UFMA não divulgou números oficiais sobre a participação de estudantes com deficiências ou doenças crônicas no curso, mas a história da recém-formada chamou a atenção pela superação. A instituição, por meio de sua assessoria, destacou que oferece apoio a alunos com necessidades especiais, mas não detalhou programas específicos para casos como o de Conceição.

O diagnóstico de Alzheimer não impediu que ela concluísse as disciplinas, embora tenha exigido ajustes na rotina de estudos. "Ela sempre foi muito dedicada, mas tivemos que reorganizar as formas de acompanhar seu progresso", afirmou uma professora que preferiu não ser identificada. A universidade não comentou sobre possíveis adaptações curriculares ou metodológicas para Conceição, limitando-se a reconhecer o empenho da aluna.

Para a família, a formatura representa mais do que um título. "Ver minha mãe aqui, com o diploma nas mãos, é uma vitória para todos nós", disse a filha, que também é professora. A cerimônia, realizada em um auditório da UFMA, durou cerca de duas horas, com direito a discurso da reitora e entrega simbólica dos diplomas.

Conceição agora planeja atuar na área da educação, mas ainda não definiu se buscará um emprego formal ou se dedicará a projetos voluntários. "Quero ajudar outras pessoas, mostrar que a vida não para por causa de um diagnóstico", declarou. A universidade informou que não há previsão de novas cerimônias específicas para casos semelhantes, mas que o caso de Conceição será usado como exemplo de resiliência dentro da instituição.

A história ganhou repercussão nas redes sociais, onde usuários compartilharam a trajetória da recém-formada. Alguns comentários destacaram a importância de políticas públicas que apoiem estudantes com condições de saúde adversas, enquanto outros elogiaram a UFMA pela inclusão. A universidade, no entanto, não se pronunciou sobre possíveis mudanças em seus protocolos.

O que fica é a mensagem de que, independentemente das circunstâncias, a busca pelo conhecimento pode transformar vidas. Conceição, que agora assina como pedagoga, deixou claro que seu maior legado não é o diploma, mas a prova de que a determinação pode vencer barreiras que muitos julgam intransponíveis.