Brasil enfrenta crise nos cuidados com idosos, alerta geriatra
Especialista em cuidados paliativos Ana Claudia Quintana Arantes denuncia precariedade no atendimento a pacientes terminais no país

A realidade do envelhecimento no Brasil é mais dura do que muitos gostariam de admitir. Essa é a conclusão de Ana Claudia Quintana Arantes, geriatra e especialista em cuidados paliativos, que não hesita em chamar atenção para um problema que afeta diretamente milhões de brasileiros e suas famílias. Em entrevista recente, ela foi direto ao ponto: o Brasil é um dos piores países do mundo para morrer.
Para quem vive no Tocantins ou em qualquer região do país, essa afirmação pode soar desconfortável. Mas é exatamente por isso que merece nossa atenção. A especialista chama atenção para a precariedade nos cuidados destinados aos idosos e pacientes em fase terminal. Não se trata apenas de falta de leitos ou equipamentos, mas de uma questão estrutural sobre como nossa sociedade lida com o final da vida.
O envelhecimento da população brasileira é uma realidade cada vez mais presente. Estamos vivendo mais, graças aos avanços na medicina e na qualidade de vida. Porém, essa longevidade não veio acompanhada de políticas públicas adequadas e investimentos suficientes em infraestrutura de saúde. No Tocantins, estado jovem mas que também enfrenta esse desafio demográfico, a situação não é diferente. Famílias inteiras se veem diante de dilemas éticos e emocionais sem o apoio necessário.
Análise Claudia Quintana Arantes coloca em perspectiva algo que os profissionais de saúde conhecem bem: existe uma diferença significativa entre prolongar a vida e oferecer uma morte digna. Os cuidados paliativos, que buscam conforto e qualidade de vida em vez de cura, ainda são pouco implementados e compreendidos no Brasil. Isso deixa pacientes e familiares desprotegidos no momento talvez mais delicado da existência.
A reflexão da geriatra é um chamado à ação. Para as autoridades de saúde, para a população e para cada um de nós. Tocantins e o Brasil como um todo precisam repensar como cuidamos de nossos idosos e como preparamos nossas estruturas de saúde para acolher dignamente aqueles que chegam ao final da vida. A mudança começa quando reconhecemos o problema. E agora, todos nós sabemos que ele existe.