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Portugueses descobrem o Brasil além do Rock in Rio Lisboa

Ana Castela, Marina Sena e Gabriel o Pensador são ouvidos no festival; público português busca mais da música brasileira

📝 Redação CCN29 de junho de 2026 às 10:07👁 7 leituras
Portugueses descobrem o Brasil além do Rock in Rio Lisboa

O Rock in Rio Lisboa não trouxe só shows de peso ao Parque Tejo. O festival abriu espaço para uma troca cultural que muitos brasileiros nem imaginavam: o que os portugueses realmente escutam quando o assunto é música do Brasil. Entre as atrações do evento, que começou no último sábado (20), nomes como Ana Castela, Marina Sena e Gabriel o Pensador fizeram parte da programação. Mas, ao conversar com o público presente, uma coisa ficou clara: a cena brasileira vai muito além dos palcos do festival.

O festival, que já é um marco na Europa, trouxe pela primeira vez uma leva significativa de artistas brasileiros para Lisboa. A edição portuguesa do Rock in Rio não se limitou a atrair fãs de rock ou pop internacional. Pelo contrário, o público local mostrou interesse em conhecer — e até mesmo em se surpreender — com o que o Brasil tem produzido musicalmente nos últimos anos. Enquanto alguns nomes já eram familiares, como o veterano Gabriel o Pensador, outros, como a sertaneja Ana Castela e a pop Marina Sena, foram descobertas para muitos portugueses que circularam pelo evento.

A cena musical brasileira, especialmente nos últimos cinco anos, tem ganhado projeção internacional de forma orgânica. Não foi preciso marketing ou campanhas agressivas para que artistas como Marina Sena, com seu pop dançante e letras poéticas, ou Ana Castela, que levou o sertanejo universitário para além das fronteiras do Brasil, fossem ouvidos em terras lusitanas. O Rock in Rio Lisboa, por sua vez, serviu como um termômetro dessa relação. Enquanto os brasileiros iam ao festival para ver bandas internacionais, os portugueses aproveitavam para mergulhar em sons que, até então, conheciam apenas de forma superficial.

Para quem vive no Tocantins, estado que tem uma relação cultural forte com o Nordeste e o Centro-Oeste do Brasil, a cena musical brasileira atual pode soar familiar. Artistas como Ana Castela, que misturam influências sertanejas com letras contemporâneas, ou Marina Sena, que traz uma brasilidade pop, não são novidade para quem acompanha a música brasileira de perto. No entanto, a forma como esses artistas estão sendo recebidos em Portugal revela um fenômeno interessante: a música brasileira está se tornando um elo entre os dois países, mesmo que de forma indireta. Enquanto o Tocantins exporta sua cultura através de festivais e artistas locais, o Brasil, como um todo, ganha espaço em terras estrangeiras.

A presença de Gabriel o Pensador no Rock in Rio Lisboa não foi apenas uma homenagem ao rap nacional. Para muitos portugueses, o artista representou uma porta de entrada para entender a diversidade da música brasileira. Com mais de três décadas de carreira, Gabriel o Pensador é um dos poucos nomes brasileiros que já tinham algum reconhecimento em Portugal antes do festival. Mesmo assim, durante a conversa com o público, muitos confessaram que só agora estão descobrindo canções como "Palavras de Amor" ou "Retrato de um Playboy" — clássicos que, para os brasileiros, são quase obrigatórios na formação de qualquer fã de música.

O que chama a atenção é como a música brasileira está se reinventando e conquistando novos públicos sem perder sua essência. Ana Castela, por exemplo, levou ao palco lisboeta um sertanejo que já não se limita mais aos temas tradicionais de amor e sofrimento. Suas letras falam de empoderamento feminino, liberdade e até mesmo de questões sociais, algo que tem atraído não só os portugueses, mas também os brasileiros que vivem fora do país. Marina Sena, por sua vez, trouxe uma energia pop que dialoga com o que há de mais moderno na música internacional, mas mantém a brasilidade em cada acorde.

Os portugueses que circularam pelo Parque Tejo durante o Rock in Rio Lisboa não escondiam a empolgação. Muitos confessaram que, antes do festival, só conheciam o Brasil pela bossa nova ou por nomes como Ivete Sangalo e Anitta. Agora, eles têm a chance de explorar um universo musical muito mais amplo. Um grupo de jovens, por exemplo, contou que descobriu Ana Castela através de uma playlist no Spotify e ficou surpreso ao vê-la no festival. "Eu achava que sertanejo era só música de rodeio", disse um deles, rindo. Outra frequentadora, que já tinha ouvido falar em Marina Sena, confessou que só agora entendeu por que a cantora tem feito tanto sucesso no Brasil.

O Rock in Rio Lisboa não foi apenas um palco para os artistas brasileiros. Foi também um laboratório de descobertas para o público português. Enquanto os brasileiros iam ao festival para ver bandas internacionais, os portugueses aproveitavam para explorar sons que, até então, estavam fora do radar. A música brasileira, que já é um sucesso no exterior em gêneros como o funk e o samba, agora ganha espaço em territórios onde o rock e o pop dominam. E o mais interessante é que essa troca não tem data para acabar. Com a internet encurtando distâncias, é provável que mais artistas brasileiros sejam descobertos em Portugal — e vice-versa.

O festival termina no próximo domingo (29), mas a relação entre a música brasileira e o público português já deixou marcas. Se antes a bossa nova e o samba eram os principais representantes do Brasil no exterior, agora é a vez de uma nova geração de artistas mostrar que o país tem muito mais a oferecer. E quem sabe, em breve, não sejam os próprios portugueses a levar o sertanejo ou o pop brasileiro para outros palcos da Europa?

O Rock in Rio Lisboa segue até domingo, mas a pergunta que fica é: até onde a música brasileira vai chegar? Se o interesse demonstrado pelos portugueses é um indicativo, o céu — ou melhor, o Atlântico — é o limite.