Amizade: o laço que segura a saúde mental no cotidiano
Estudo destaca como laços afetivos fortalecem o bem-estar em Palmas e no Tocantins 2024

A amizade não é apenas um detalhe na vida das pessoas — ela é um dos alicerces invisíveis que sustentam a saúde emocional de quem vive em Palmas e no Tocantins. Um estudo recente feito por pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) mostra que os vínculos de amizade vão muito além da companhia: eles oferecem acolhimento, senso de pertencimento e até mesmo uma rede de proteção psicológica que ajuda a enfrentar os desafios do dia a dia.
Em tempos de cobranças excessivas no trabalho, pressões familiares e incertezas econômicas, como a que atinge muitas famílias tocantinenses após a queda nos preços da soja e do milho, esses laços se tornam ainda mais valiosos. Em Araguaína, por exemplo, moradores relatam que grupos de amigos se reúnem em praças como a Praça dos Girassóis para conversar e desabafar, prática que, segundo psicólogos locais, reduz casos de ansiedade e depressão. Em Gurupi, a prefeitura mantém o programa "Amigos do Peito", que promove encontros mensais entre idosos para combater o isolamento social, um problema que afeta cerca de 30% da população acima de 60 anos na cidade, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde.
No entanto, a importância da amizade não se limita ao âmbito pessoal. Em Palmas, a Secretaria Municipal de Saúde já identificou que pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, apresentam melhora significativa quando contam com o apoio de grupos de amigos ou familiares. Um levantamento feito em 2023 revelou que 65% dos pacientes que participavam de grupos de apoio em unidades básicas de saúde tinham níveis de estresse reduzidos em até 40%. "A amizade age como um fator de proteção", explica a psicóloga Maria Helena Costa, coordenadora do Núcleo de Saúde Mental da Secretaria. "Em um estado como o Tocantins, onde a saúde pública enfrenta desafios como a falta de profissionais em algumas regiões, esses laços se tornam ainda mais essenciais para prevenir crises."
A realidade tocantinense reforça o que a ciência já comprova: a amizade não é um luxo, mas uma necessidade. Em Porto Nacional, por exemplo, um grupo de mães se reúne semanalmente no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) para trocar experiências e oferecer suporte mútuo. "Aqui, a gente não só conversa sobre os filhos, mas também sobre os nossos medos", conta Joana Silva, 38 anos, moradora do bairro Santa Fé. "É como se a gente criasse uma segunda família." Segundo a coordenadora do CRAS, Ana Paula Mendes, desde que o grupo foi criado, há dois anos, os casos de depressão entre as participantes caíram pela metade.
O impacto desses laços também se reflete na economia local. Em Miracema do Tocantins, comerciantes notam que clientes que frequentam grupos de amigos ou atividades comunitárias gastam mais em bares, restaurantes e lojas. "Quando as pessoas se sentem parte de algo, elas consomem mais e movimentam a economia", afirma o presidente da Associação Comercial de Miracema, Carlos Alberto Oliveira. "É um ciclo virtuoso: saúde emocional gera mais disposição para trabalhar e consumir."
Para quem vive em cidades menores, como Colinas do Tocantins, onde a oferta de serviços de saúde mental é limitada, a amizade se torna ainda mais crucial. A prefeitura local, em parceria com igrejas e associações, promove encontros semanais para idosos e jovens, visando reduzir o isolamento. "Aqui, a gente não tem psicólogos suficientes, então a gente aposta nos laços afetivos", diz o secretário de Assistência Social, José Rodrigues. "É uma forma de prevenir problemas maiores."
Os dados mostram que, em um estado onde a saúde pública ainda enfrenta gargalos, a amizade pode ser uma ferramenta poderosa — e gratuita — de promoção de bem-estar. Em Palmas, a prefeitura já estuda criar um programa municipal para incentivar a formação de grupos de apoio em bairros, como o Jardim Aureny e o Taquaralto, onde a demanda por saúde mental é alta. "A gente quer transformar esses laços em políticas públicas", adianta a secretária de Saúde, Dra. Fátima Araújo. "Não adianta só tratar a doença; a gente precisa prevenir."
Enquanto isso, nas ruas de Palmas e nas cidades do interior, a amizade segue sendo o remédio mais acessível e eficaz. Seja em uma roda de conversa na Praça dos Girassóis, em um grupo de mães no CRAS de Porto Nacional ou em um encontro de idosos em Gurupi, esses laços continuam a ser a cola que mantém a saúde emocional de milhares de tocantinenses de pé. E, em tempos de incertezas, isso não tem preço.
A pergunta que fica é: como a sociedade tocantinense pode fortalecer ainda mais esses laços? A resposta pode estar nas políticas públicas, mas também no cotidiano de cada um — no abraço dado a um amigo, na risada compartilhada em uma mesa de bar ou no simples ato de ligar para alguém que faz falta. Afinal, como diz o ditado popular, "quem tem um amigo, tem um tesouro". E no Tocantins, esse tesouro pode ser a chave para uma vida mais leve.