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Amazonas corta desmatamento mas segue entre os piores da Amazônia

Estado registra queda de 31% em um ano, mas ainda figura entre os três maiores devastadores da região

📝 Redação CCN28 de agosto de 2026 às 13:54👁 3 leituras
Amazonas corta desmatamento mas segue entre os piores da Amazônia

O Amazonas reduziu em quase um terço o ritmo de devastação de sua floresta nos últimos doze meses. Segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados na última quinta-feira, 495 quilômetros quadrados de mata nativa foram derrubados entre junho de 2024 e maio de 2025. A marca representa uma queda de 31% em comparação com o período anterior, consolidando o segundo ano consecutivo de retração no estado. Mesmo assim, o Amazonas mantém a posição entre os três estados que mais destroem a Amazônia Legal, atrás apenas do Pará e do Mato Grosso.

A redução no desmatamento amazonense contrasta com a média nacional, que ainda oscila em patamares elevados. Especialistas do Imazon atribuem a melhora local a um conjunto de fatores, como o aumento da fiscalização em áreas críticas e a pressão sobre madeireiros ilegais. A multa de R$ 50 milhões aplicada recentemente em Borba, município do interior do estado, exemplifica a intensificação das ações de controle. No entanto, o avanço não é suficiente para tirar o Amazonas do grupo dos maiores devastadores, segundo o levantamento.

Para quem vive na região, a notícia traz alívio parcial. Comunidades ribeirinhas e povos indígenas, que sofrem diretamente com a degradação, veem a queda nos números como um sinal positivo, mas insuficiente. A floresta ainda encolhe em ritmo acelerado em outras partes do estado, e a fiscalização, embora mais presente, enfrenta limitações logísticas e orçamentárias. A pressão sobre o governo estadual aumenta, especialmente após a multa recorde aplicada em Borba, que expôs a fragilidade das políticas de proteção ambiental na região.

Os números do Imazon mostram que o Amazonas desmatou 495 km² no período analisado, uma área equivalente a quase metade da cidade de São Paulo. O dado foi obtido por meio de monitoramento por satélite, método considerado confiável pela comunidade científica. A queda de 31% em relação ao ano anterior é a segunda consecutiva, mas o estado ainda responde por 15% de toda a devastação na Amazônia Legal. O Pará lidera o ranking, com 32% do total, seguido pelo Mato Grosso, com 22%.

O Imazon destacou que a redução no Amazonas pode estar ligada a operações recentes, como a que resultou na multa de R$ 50 milhões aplicada em Borba. O município, conhecido por atividades madeireiras irregulares, tornou-se símbolo da luta contra o desmatamento ilegal. A multa, a maior já registrada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) em 2025, foi aplicada após a constatação de exploração florestal sem autorização em uma área de 120 hectares.

O que vem por aí? O governo estadual promete manter o ritmo das fiscalizações, mas a tarefa não é simples. A extensão da Amazônia e a resistência de grupos criminosos dificultam o trabalho das equipes ambientais. Enquanto isso, organizações não governamentais cobram mais investimentos em alternativas econômicas para as comunidades locais, como o manejo florestal sustentável. A pressão internacional também cresce, especialmente após a divulgação dos dados, que podem influenciar negociações comerciais e acordos climáticos.

Ainda não está claro se a tendência de queda se manterá nos próximos meses. O ritmo da fiscalização e a capacidade de resposta do estado serão testados nos próximos ciclos de monitoramento. Por enquanto, o Amazonas comemora a redução, mas sabe que o caminho para reverter décadas de degradação ainda é longo e cheio de obstáculos.