Escolas públicas de Palmas agitam preparativos para o Arraiá da Capital
Alunos de unidades da rede municipal ensaiam quadrilhas e comidas típicas para a festa que promete lotar o Centro Cultural de Palmas
No pátio da Escola Municipal Darcy Ribeiro, no bairro Taquaralto, a criançada corre de um lado para o outro com saias de chita, chapéus de palha e bandeirinhas coloridas. Não é brincadeira qualquer: os alunos se preparam para o Arraiá da Capital, evento que já virou tradição nas escolas públicas de Palmas e promete lotar o Centro Cultural de Palmas nos próximos dias. A festa, que reúne apresentações de quadrilhas, comidas típicas e muita música, é uma das poucas oportunidades que as crianças têm de viver o São João fora de casa, especialmente aquelas que não têm acesso a festas particulares.
A preparação começou há mais de um mês, quando as professoras de artes e educação física começaram a ensinar coreografias e a confeccionar adereços. Na Darcy Ribeiro, uma das 30 escolas municipais envolvidas, os alunos do 1º ao 5º ano já decoraram o pátio com balões e bandeiras, enquanto os professores organizam ensaios diários. "Eles não veem a hora de mostrar o que aprenderam", conta a diretora Márcia Oliveira, que acompanha os preparativos há cinco anos. "Muitos vêm de famílias que não têm condições de pagar uma festa de São João, então esse momento é muito especial para eles."
O Arraiá da Capital não é só uma festa: é um projeto pedagógico. Desde 2018, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) incluiu a celebração no calendário escolar como forma de resgatar a cultura nordestina e incentivar a participação das famílias. "A gente trabalha com a história do São João, as comidas típicas, as danças e até a origem das festas juninas", explica a coordenadora de cultura da Semed, Ana Cláudia Silva. "É uma forma de manter viva a tradição, principalmente aqui no Tocantins, onde a influência nordestina é forte."
As apresentações das quadrilhas estão divididas em dois dias: 21 e 22 de junho, no Centro Cultural de Palmas. Cada escola tem direito a um horário de 30 minutos para mostrar o que preparou. A expectativa é de que mais de 5 mil pessoas compareçam, entre alunos, familiares e moradores da capital. "Já estamos vendendo ingressos antecipados nas escolas para evitar filas no dia", adianta Ana Cláudia. Os valores variam de R$ 5 a R$ 10, e o dinheiro arrecadado será usado para comprar materiais para as escolas.
Na Escola Municipal São José, no bairro Jardim Aureny IV, os alunos preparam uma quadrilha temática sobre a cultura indígena, em parceria com a Fundação Cultural de Palmas. "A gente quis mostrar que o São João não é só festa nordestina", diz a professora de história Luciana Mendes. "Aqui, a gente mistura as tradições e ensina às crianças que a cultura tocantinense é feita de várias influências."
Para quem não tem como ir ao Centro Cultural, algumas escolas farão apresentações menores nos bairros. A Escola Municipal Darcy Ribeiro, por exemplo, vai levar uma versão reduzida da quadrilha até o Parque Cesamar, no dia 23 de junho. "A gente não quer deixar ninguém de fora", reforça Márcia Oliveira. "O São João é uma festa de todos, e a gente quer que as crianças sintam isso."
Os pais já começam a se organizar para garantir a presença dos filhos. Dona Maria Aparecida, mãe de dois alunos da Darcy Ribeiro, conta que vai levar a família toda. "Meu marido trabalha no comércio, então a gente só pode ir no sábado à tarde", diz ela. "Mas a gente não perde por nada. É a única vez no ano que a gente vê os meninos dançando assim, felizes."
A Secretaria Municipal de Educação garante que todas as medidas de segurança serão tomadas durante o evento. "Vamos ter policiamento reforçado e equipes de saúde para atender qualquer necessidade", afirma o secretário municipal de Educação, professor Fábio Vaz. "A gente quer que seja uma festa tranquila, para que todos possam aproveitar."
O Arraiá da Capital é mais um exemplo de como Palmas tem investido em cultura e lazer para as famílias. Enquanto a prefeitura organiza shows e eventos ao longo do ano, iniciativas como essa mostram que a cidade não esquece de suas raízes. "A gente sabe que tem muito o que melhorar, mas projetos como esse dão um pouco de alegria para as famílias", comenta a coordenadora Ana Cláudia. "E isso, no fim das contas, é o que mais importa."
Os ingressos para o evento podem ser comprados nas escolas participantes ou no site da Prefeitura de Palmas. Quem perder a apresentação da própria escola ainda terá a chance de ver outras quadrilhas no Centro Cultural. A festa promete ser um sucesso, como nos anos anteriores, e deve atrair não só os moradores de Palmas, mas também visitantes de cidades como Porto Nacional e Gurupi, que costumam prestigiar o evento.