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Seca histórica seca rios do Tocantins e afeta rotina no estado

Monitoramento federal aponta níveis críticos em 12 bacias hidrográficas tocantinenses entre julho e setembro de 2024

📝 Redação CCN18 de junho de 2026 às 02:15👁 1 leituras
Seca histórica seca rios do Tocantins e afeta rotina no estado

O Tocantins enfrenta uma das piores secas dos últimos anos, com rios em situação crítica em pelo menos 12 bacias hidrográficas do estado. Segundo dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgados nesta semana, a estiagem severa e extrema atinge municípios de norte a sul do Tocantins, colocando em alerta agricultores, pescadores e moradores ribeirinhos. A situação é mais grave em regiões como o Bico do Papagaio, a Ilha do Bananal e o entorno de Palmas, onde a falta de chuvas já afeta o abastecimento de água e a produção agrícola.

A seca não é novidade para quem vive no Tocantins, mas a intensidade deste ano surpreendeu até mesmo os mais experientes. Em julho, o rio Araguaia, um dos principais do estado, registrou níveis abaixo da média histórica, com vazão 40% menor do que o esperado para o período. Em Porto Nacional, a 60 km de Palmas, o rio Tocantins já apresenta trechos com pedras à mostra, algo incomum mesmo em períodos de estiagem. Em Gurupi, no sul do estado, a situação é tão crítica que a prefeitura anunciou racionamento de água para 15 bairros, afetando cerca de 30 mil pessoas. A falta de chuvas, aliada ao uso intenso da água para irrigação, agravou o problema, segundo técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).

Para quem depende do rio no dia a dia, as consequências são imediatas. Em Miracema do Tocantins, pescadores relatam que a pesca, atividade que sustenta famílias há gerações, está cada vez mais difícil. "Antes, a gente pescava o ano todo. Agora, só conseguimos peixes nos meses de chuva", conta João Batista, 52 anos, que vive às margens do rio Tocantins há três décadas. Na agricultura, a seca já prejudicou a safra de grãos em municípios como Dianópolis e Paranã, onde produtores rurais temem perdas de até 30% na colheita de soja e milho. A situação é ainda mais preocupante em regiões como o Jalapão, onde o turismo ecológico, que movimenta a economia local, depende diretamente da água dos rios e cachoeiras.

Os números do Monitor de Secas da ANA não deixam dúvidas sobre a gravidade. Das 12 bacias monitoradas no Tocantins, sete estão em seca extrema, três em seca severa e duas em seca moderada. Em números absolutos, isso significa que 85% do território tocantinense enfrenta algum nível de estiagem. A ANA também destacou que a situação pode piorar nos próximos meses, já que o período de chuvas no estado começa apenas em outubro. "A seca atual é a pior desde 2016, quando o Tocantins enfrentou uma crise hídrica que durou quase dois anos", afirmou o engenheiro ambiental da Semarh, Marcos Oliveira. Ele lembra que, em 2016, a estiagem levou à decretação de estado de emergência em mais de 50 municípios.

A Defesa Civil do Tocantins já iniciou ações emergenciais em municípios críticos, como Araguatins e Augustinópolis, onde a falta de água potável aumentou o risco de doenças como diarreia e hepatite A. Em Araguaína, a prefeitura instalou pontos de distribuição de água em bairros periféricos, mas a demanda supera a capacidade de atendimento. A Companhia de Saneamento do Tocantins (Sanecap) informou que está monitorando 18 sistemas de abastecimento com risco de colapso, principalmente em cidades do interior. "Estamos trabalhando com a Defesa Civil para evitar um cenário de crise maior", disse o diretor da Sanecap, Carlos Eduardo Silva.

A seca também afeta diretamente a geração de energia elétrica. A Usina Hidrelétrica de Peixe Angical, responsável por parte da energia consumida no estado, já opera com 30% da capacidade devido à baixa vazão do rio Tocantins. A situação levou a Companhia Energética de Brasília (CEB) a acionar alertas sobre possíveis racionamentos em Palmas e região. "A população precisa se preparar para um consumo mais consciente de energia", alertou o engenheiro da CEB, Paulo Mendes. A crise hídrica ainda pode agravar a inflação de alimentos, já que o Tocantins é um dos maiores produtores de grãos do país.

Enquanto o governo estadual e as prefeituras tentam minimizar os danos, a população cobra ações mais efetivas. Em Palmas, moradores de bairros como Taquaralto e Jardim Aureny já relatam quedas no fornecimento de água em horários alternados. A Câmara Municipal de Palmas aprovou, na última semana, um requerimento para que a prefeitura apresente um plano emergencial de combate à seca. "A água é um direito básico, e o poder público precisa agir antes que a situação se torne insustentável", cobrou o vereador João Paulo (PT), autor do pedido.

O que vem pela frente ainda é incerto. A ANA prevê que a seca deve persistir até pelo menos dezembro, com chuvas abaixo da média histórica. Enquanto isso, a população tocantinense se prepara para mais um período difícil, relembrando os tempos de 2016, quando a crise hídrica deixou marcas profundas na economia e na vida das pessoas. Para especialistas, a solução a longo prazo passa pela recuperação de nascentes, reflorestamento e investimentos em sistemas de captação de água da chuva. Mas, no curto prazo, a única certeza é que o Tocantins terá de se adaptar a uma realidade cada vez mais seca.