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Interior do Tocantins puxa alta na produção agrícola brasileira

Crescimento do agro no estado muda perfil da economia regional e nacional com 15% da safra 2023/24

📝 Redação CCN30 de agosto de 2026 às 17:21👁 9 leituras
Interior do Tocantins puxa alta na produção agrícola brasileira

O interior do Tocantins assumiu papel central na produção agrícola brasileira na safra 2023/24, com um salto de 15% na produtividade em relação ao ano anterior. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a região, antes vista como secundária no cenário nacional, agora responde por parcela significativa da soja, milho e algodão produzidos no país. Em Palmas, a notícia é comemorada pela Secretaria de Estado da Agricultura, que já projeta investimentos em infraestrutura para escoamento da safra.

O avanço não veio por acaso. Nos últimos cinco anos, o Tocantins atraiu R$ 2,3 bilhões em recursos federais e estaduais para modernizar a agricultura, com foco em tecnologias de plantio direto e irrigação. Municípios como Dueré, Formoso do Araguaia e Lagoa da Confusão, antes dependentes de culturas de subsistência, hoje abrigam fazendas com produtividade superior à média nacional. Em Dueré, por exemplo, a safra de soja cresceu 22% em 2023, enquanto em Formoso do Araguaio, a área plantada com milho dobrou desde 2019. A mudança foi possível graças a parcerias com a Embrapa, que trouxe pesquisas adaptadas ao cerrado tocantinense, e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que garantiu mercado para pequenos produtores.

Para quem vive no interior, o impacto é visível no dia a dia. Em Lagoa da Confusão, o prefeito João Carlos da Silva conta que a arrecadação municipal subiu 30% nos últimos dois anos, permitindo a reforma de estradas e a construção de três novas escolas. "Antes, a cidade dependia de repasses federais para tudo. Hoje, o agro gera emprego e renda aqui mesmo", afirma. Em Gurupi, a Feira Agropecuária, que acontece anualmente, já não é mais apenas um evento local: em 2023, atraiu compradores de Goiás, Mato Grosso e até do Paraguai, movimentando R$ 12 milhões em negócios. A prefeitura da cidade já estuda criar um polo logístico para escoar a produção diretamente para o Porto de Santos, reduzindo custos e tempo de transporte.

Os números confirmam a virada. Segundo o IBGE, o Tocantins produziu 12 milhões de toneladas de grãos na safra 2023/24, um recorde histórico. Desse total, 60% vieram de municípios do interior, como Porto Nacional e Paraíso do Tocantins, que juntos somam mais de 800 mil hectares plantados. A soja, principal cultura, teve aumento de 18% na área cultivada, enquanto o milho registrou crescimento de 25%. A Embrapa Tocantins, responsável pelo desenvolvimento de 12 novas cultivares adaptadas ao clima local, aponta que a produtividade média por hectare subiu de 2,8 toneladas em 2018 para 3,5 toneladas em 2024.

A Secretaria de Estado da Agricultura já anunciou que vai destinar R$ 500 milhões em 2024 para expandir a malha viária rural, com foco em trechos que ligam as regiões produtoras aos principais corredores de escoamento. "Precisamos garantir que a produção chegue ao mercado sem perdas", diz o secretário José Geraldo de Oliveira. A medida inclui a pavimentação de 150 quilômetros de estradas vicinais em Dueré e Formoso do Araguaia, além da construção de 10 armazéns graneleiros em municípios como Gurupi e Porto Nacional.

O desafio agora é manter o ritmo. Com a seca prolongada em 2023, alguns produtores enfrentaram perdas de até 15% na colheita, especialmente em áreas não irrigadas. Para driblar o problema, a Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) lançou um programa de seguro agrícola com subsídio de 50% para pequenos e médios produtores. "A seca é um risco, mas temos tecnologia para minimizar os danos", afirma o diretor da Adapec, Carlos Alberto Mendes. A expectativa é que, com os investimentos em irrigação e armazenagem, o Tocantins possa aumentar ainda mais sua participação na safra nacional nos próximos anos.

Enquanto isso, em Palmas, a discussão sobre o futuro do agro no estado ganha força na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Paulo César da Silva, relator da Comissão de Agricultura, defende a criação de um fundo permanente para financiar pesquisas e infraestrutura. "O Tocantins não pode parar. Precisamos de políticas públicas que garantam competitividade", argumenta. A próxima reunião da comissão, marcada para julho, deve definir prioridades para o setor, incluindo a ampliação de linhas de crédito para cooperativas.

Para o produtor rural de Lagoa da Confusão, Antônio Pereira, a transformação já é realidade. "Há dez anos, meu pai plantava só feijão e arroz para comer. Hoje, minha fazenda tem 500 hectares de soja e emprega 20 pessoas", conta. Com a safra recorde, ele já planeja expandir a área plantada em 2025. Enquanto o Brasil olha para o Tocantins, o estado segue escrevendo sua história no campo — e no mapa da produção nacional.