Tragédia na Praia do Tição: adolescente e homem morrem afogados em Buriti do TO
Henrique Gabriel Morais Monteiro, 15 anos, e Wenes Pereira da Silva, 37, perderam a vida ao tentar resgatar bola no rio

Na tarde de ontem, duas vidas foram ceifadas pelas águas do Rio Tocantins na zona rural de Buriti do Tocantins. Um adolescente de 15 anos e um homem de 37 anos morreram afogados na Praia do Tição, localizada às margens do rio, após tentarem recuperar uma bola que havia caído na água. O caso chocou moradores da região e reacendeu discussões sobre os riscos de atividades recreativas em áreas não monitoradas.
O drama começou por volta das 15h, quando o jovem Henrique Gabriel Morais Monteiro, de 15 anos, brincava com amigos na praia. Ao perder o controle da bola, ele entrou no rio para recuperá-la, mas as correntezas fortes o arrastaram. Wenes Pereira da Silva, de 37 anos, que estava por perto, tentou salvá-lo, mas também foi pego pelas águas. Ambos não resistiram. As vítimas foram identificadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Tocantins, que confirmou a ocorrência por volta das 17h, quando os corpos foram localizados pela Polícia Civil.
A Praia do Tição, embora conhecida por moradores de Buriti e cidades vizinhas como um ponto de lazer, não possui estrutura de segurança ou salva-vidas. A falta de fiscalização e sinalização adequada é um problema recorrente em várias praias fluviais do Tocantins, especialmente durante o período de estiagem, quando o nível das águas baixa e as correntezas se tornam mais perigosas. Em Buriti do Tocantins, a prefeitura não mantém equipes de monitoramento na região, o que aumenta os riscos para quem busca refresco nos rios.
O caso foi registrado pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Buriti do Tocantins, que investiga as circunstâncias exatas do acidente. Segundo a SSP, não houve testemunhas que pudessem detalhar o momento do afogamento, mas a perícia confirmou que ambos morreram por afogamento. A Polícia Civil informou que não há indícios de que as vítimas tenham ingerido bebidas alcoólicas ou que houvesse negligência por parte de terceiros.
Para quem vive no interior do Tocantins, a tragédia não é apenas uma notícia distante. Em cidades como Buriti, onde o Rio Tocantins é uma das poucas opções de lazer para famílias de baixa renda, o caso serve como alerta. Muitos moradores frequentam as praias fluviais nos finais de semana, especialmente nos meses mais quentes, quando as temperaturas ultrapassam os 35°C. A falta de políticas públicas para garantir segurança nessas áreas é um tema que volta à tona após episódios como este.
A prefeitura de Buriti do Tocantins ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de implementar medidas preventivas, como placas de advertência ou fiscalização em finais de semana. A Secretaria de Meio Ambiente e Turismo do estado, por sua vez, não respondeu aos questionamentos sobre a fiscalização em praias não oficiais. Enquanto isso, famílias da região seguem em luto, e a comunidade local debate como evitar que novos casos como este se repitam.
A Polícia Civil informou que o inquérito será concluído nos próximos dias, mas não há previsão de quando os corpos serão liberados para as famílias. O velório de Henrique Gabriel está previsto para esta sexta-feira na cidade de Buriti do Tocantins, enquanto a cerimônia de Wenes Pereira deve ocorrer em sua cidade natal, ainda não divulgada.
O caso reacende uma discussão antiga: até quando o Tocantins vai negligenciar a segurança em suas praias fluviais? Sem fiscalização, sinalização ou estrutura, os rios continuam sendo um perigo silencioso para quem busca um pouco de alívio do calor. Enquanto isso, moradores seguem expostos a riscos que poderiam ser evitados com ações simples, mas que dependem de vontade política e investimento público.