Abipesca solicita cota anual para filé de tilápia
Associação de Indústria de Peixe pede ao Ministério da Agricultura a criação de quota fixa para importação de filés de tilápia, em pedido apresentado nesta quinta-feira

A Associação Brasileira das Indústrias de Peixe e Derivados (Abipesca) entregou, nesta quinta-feira, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) um pedido formal para instituir uma cota anual de importação de filés de tilápia. O documento foi protocolado em Brasília e traz argumentos que vinculam a medida ao aumento da presença de produtos estrangeiros no mercado interno.
A justificativa da entidade parte da constatação de que, nos últimos meses, as importações de filé de tilápia têm registrado crescimento constante. Esse movimento, segundo a Abipesca, se dá simultaneamente à retração nas exportações brasileiras do mesmo item, o que tem gerado preocupação entre os produtores nacionais. A associação acredita que a definição de um limite anual ajudaria a equilibrar a competitividade, permitindo que os empresários locais planejem a produção com mais segurança.
Para os pescadores, processadores e comerciantes que dependem da tilápia, a proposta tem implicações diretas no preço final ao consumidor e na sustentabilidade da cadeia produtiva. Uma cota controlada poderia reduzir a pressão sobre os preços, que têm sido afetados pela oferta externa mais barata. Além disso, a medida pode incentivar investimentos em tecnologia e em melhorias de qualidade, já que os produtores teriam um horizonte de demanda mais estável.
Em nota, a Abipesca destacou que o avanço dos filés de tilápia importados acontece em um cenário de queda nas exportações brasileiras. A entidade citou, ainda, a necessidade de políticas que protejam a indústria nacional sem infringir acordos comerciais. "Precisamos de uma solução que concilie a abertura de mercado com a preservação dos empregos e da produção local", afirmou o presidente da associação.
O Ministério da Agricultura ainda não se pronunciou sobre a proposta, mas a secretaria de Política Agrícola indicou que o pedido será analisado nas próximas semanas. Caso a cota seja aprovada, o próximo passo será definir os volumes máximos permitidos e os critérios de alocação entre os diferentes importadores. A discussão deverá aparecer em audiências públicas previstas para o final do ano, permitindo que representantes do setor e organizações de defesa do consumidor apresentem suas posições.
A expectativa é que, com a definição de um limite anual, o mercado encontre um ponto de equilíbrio que beneficie tanto os produtores nacionais quanto os consumidores, evitando flutuações abruptas de preço e garantindo a competitividade da tilápia brasileira no cenário internacional.