Tocantins registra alta na abertura de empresas em 2024
Mais de 12 mil novos negócios foram abertos no estado até outubro, segundo dados da Junta Comercial

O Tocantins já soma 12.458 novas empresas abertas em 2024, segundo balanço da Junta Comercial do Estado (Jucex). O número representa um crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 11.512 empreendimentos. Palmas lidera o ranking, com 4.230 novas empresas, seguida por Araguaína (1.890) e Gurupi (980).
O aumento reflete uma tendência que vem se consolidando no estado desde 2022, quando o Tocantins passou a figurar entre os dez estados brasileiros com maior taxa de empreendedorismo. Especialistas da área atribuem o crescimento à simplificação de processos na Jucex, que reduziu em 40% o tempo médio para abertura de empresas nos últimos dois anos. Em 2022, o estado ocupava a 15ª posição no ranking nacional; hoje, está em 7º lugar.
Para quem vive em Palmas, a notícia chega em um momento em que a capital busca se firmar como polo de negócios no Norte do país. O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (PSD), tem destacado em suas falas a importância do empreendedorismo para a geração de emprego e renda. "Abrir uma empresa hoje em Palmas é mais rápido e menos burocrático do que há dois anos. Isso atrai investidores e fortalece a economia local", afirmou o prefeito em entrevista recente.
Ainda segundo a Jucex, os setores que mais impulsionaram o crescimento foram o comércio varejista (3.210 novas empresas), serviços (2.890) e construção civil (1.560). Em Gurupi, por exemplo, a abertura de empresas de construção cresceu 25% em relação a 2023, acompanhando o ritmo de obras públicas e privadas na região. Em Araguaína, o comércio de alimentos e bebidas liderou o crescimento, com 420 novas empresas.
O impacto da alta na abertura de empresas já começa a ser sentido no cotidiano dos tocantinenses. Em Palmas, o bairro Taquaralto, conhecido por abrigar pequenos comércios e prestadores de serviços, registrou um aumento de 15% no movimento de clientes nos últimos seis meses. "Antes, demorava até 30 dias para abrir uma empresa. Hoje, em menos de uma semana já está tudo pronto", contou Maria Silva, dona de uma lanchonete no Taquaralto, que inaugurou seu negócio em julho.
Na saúde, a prefeitura de Palmas já projeta um aumento na arrecadação de impostos, o que pode ser revertido em melhorias na rede pública. "Com mais empresas pagando impostos, temos mais recursos para investir em saúde e educação", afirmou a secretária municipal de Fazenda, Ana Paula Oliveira. A expectativa é que o crescimento se mantenha até o final do ano, com a abertura de pelo menos mais 1.500 empresas até dezembro.
A Jucex informou que o ritmo acelerado de abertura de empresas deve se manter nos próximos meses, especialmente com a chegada de novas políticas públicas voltadas para o empreendedorismo. "Estamos trabalhando para reduzir ainda mais os prazos e facilitar o acesso aos microcréditos", declarou o presidente da Jucex, José Carlos Rodrigues. A autarquia também estuda a implementação de um sistema online para abertura de empresas em até 48 horas, seguindo o modelo de estados como São Paulo e Paraná.
Enquanto isso, em Araguaína, a Câmara Municipal já discute a criação de um programa de incentivo fiscal para atrair mais empreendedores. "Queremos que a cidade se torne um polo de negócios no norte do Tocantins", afirmou o vereador João Batista (MDB), autor do projeto. A proposta deve ser votada ainda este ano.
O crescimento na abertura de empresas no Tocantins não passa despercebido pelos moradores. Em Gurupi, o comerciante Antônio Lima, que abriu sua loja de móveis em setembro, comemora: "Antes, a gente pensava duas vezes antes de empreender. Hoje, o processo é tão simples que até quem não tinha coragem resolveu tentar".
Ainda há desafios, como a burocracia em alguns municípios menores e a falta de mão de obra qualificada em setores como a construção civil. Mas, para quem acompanha o cenário local, o momento é de otimismo. "O Tocantins está mostrando que pode ser um estado de oportunidades", avaliou o economista da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Carlos Mendes.
A Jucex deve divulgar o balanço completo do ano até janeiro de 2025, quando será possível avaliar se a tendência de crescimento se mantém. Até lá, a expectativa é que mais tocantinenses apostem no próprio negócio, impulsionados pela agilidade nos processos e pelo ambiente favorável aos empreendedores.