Justiça interdita frigorífico em Araguaína por risco sanitário
Frigorífico interditado pela Justiça em Araguaína por falta de higiene e risco de contaminação da carne

A Justiça do Tocantins determinou o fechamento imediato de um frigorífico em Araguaína, no norte do estado, após fiscalização revelar condições sanitárias críticas. A decisão, tomada na última semana, aponta falhas graves no processo de abate e armazenamento da carne, colocando em risco a saúde dos consumidores. O estabelecimento, que não teve o nome divulgado, foi interditado pela Vigilância Sanitária local e pela Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), órgão responsável pela fiscalização de produtos de origem animal no estado.
A interdição não é um caso isolado. Em 2023, a Adapec aplicou mais de 50 autuações em frigoríficos e abatedouros do Tocantins por irregularidades semelhantes, segundo dados da própria agência. No entanto, o caso de Araguaína chamou atenção pela gravidade das falhas encontradas: funcionários relataram a falta de equipamentos básicos de proteção, como luvas e aventais, além de superfícies contaminadas e ausência de controle de temperatura nos locais de armazenamento. A Adapec informou que, durante a vistoria, foram coletadas amostras da carne produzida no local para análise laboratorial, que deve confirmar ou descartar a presença de bactérias ou outros agentes patogênicos.
Para os moradores de Araguaína e cidades vizinhas, a notícia gera preocupação imediata. Araguaína é um polo regional de produção de carne bovina e suína, abastecendo não só o mercado local, mas também municípios do Pará e do Maranhão. Com a interdição, produtores rurais da região podem sofrer prejuízos, já que o frigorífico interditado é responsável pelo abate de animais de pequenos e médios criadores. "A gente depende desse frigorífico para escoar a produção. Se ele ficar parado por muito tempo, a gente vai ter que buscar alternativas mais caras", afirmou um produtor rural da zona rural de Araguaína, que pediu para não ser identificado.
A Adapec informou que o frigorífico poderá ser reaberto apenas após a correção de todas as irregularidades apontadas e a apresentação de um laudo técnico atestando as condições sanitárias adequadas. Até lá, os animais destinados ao abate na região terão que ser levados a outros frigoríficos credenciados, o que pode encarecer o processo para os produtores. A agência também destacou que, em casos de reincidência, o estabelecimento pode ser interditado definitivamente e ter sua licença cassada.
O prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues (PSD), foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou até o fechamento desta edição. A Secretaria Municipal de Saúde informou que está monitorando o caso e orientando a população sobre os riscos de consumir carne de origem duvidosa. "Recomendamos que os consumidores exijam sempre a nota fiscal e o selo de inspeção sanitária nos produtos cárneos", afirmou a coordenadora de Vigilância Sanitária do município.
A interdição do frigorífico em Araguaína reforça a importância da fiscalização constante nos estabelecimentos que lidam com alimentos de origem animal no Tocantins. Em 2022, a Adapec interditou três frigoríficos no estado por problemas semelhantes, dois em Gurupi e um em Porto Nacional. No entanto, especialistas do setor alertam que a falta de recursos humanos e financeiros na agência pode comprometer a eficácia das fiscalizações. "A Adapec faz um trabalho importante, mas a estrutura é limitada. Sem mais investimentos, fica difícil garantir a segurança alimentar em todo o estado", afirmou um técnico da área, que também pediu anonimato.
Enquanto o frigorífico interditado não regulariza suas atividades, a Adapec já iniciou um cronograma de fiscalizações emergenciais em outros estabelecimentos da região. A expectativa é que, até o final do mês, todos os frigoríficos de Araguaína e municípios próximos sejam vistoriados. Para os consumidores, a lição é clara: a fiscalização existe, mas cabe a cada um verificar a procedência dos alimentos que chegam à mesa.