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EUA reduzem abate de bovinos e preparam rebanho recorde para 2026

Estados Unidos registram queda no abate de bovinos até junho, projetando um dos menores índices em 20 anos e um rebanho maior no próximo biênio

📝 Redação CCN21 de julho de 2026 às 13:09👁 3 leituras
EUA reduzem abate de bovinos e preparam rebanho recorde para 2026

Os Estados Unidos caminham para viver, em 2026, um dos menores índices de abate de bovinos das últimas duas décadas. Dados compilados até junho mostram que a redução já é perceptível, com números que surpreendem analistas do setor. A tendência sinaliza não apenas uma mudança na dinâmica da pecuária norte-americana, mas também uma reconfiguração no mercado global de carne bovina, que pode ter reflexos em todo o mundo — inclusive no Tocantins, um dos maiores produtores de gado do Brasil.

A desaceleração no abate não é um fenômeno isolado. Nos últimos meses, criadores nos EUA têm mantido mais animais vivos, adiando a decisão de enviar os bois ao frigorífico. A estratégia reflete uma combinação de fatores: desde a queda nos preços da carne nos últimos anos até a busca por repor o rebanho após períodos de seca prolongada em regiões como o Texas e o Kansas. Segundo dados preliminares, a redução no abate já é de cerca de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, um movimento que, se mantido, pode levar a um dos maiores rebanhos bovinos do país em 2026 — algo não visto desde o início dos anos 2000.

Para o Tocantins, onde a pecuária é uma das principais atividades econômicas, a notícia chega em um momento de atenção. O estado, que exporta carne para mais de 80 países, já sente os efeitos da volatilidade nos preços internacionais. Se os EUA mantiverem menos animais no abate, a oferta global de carne pode diminuir, pressionando os preços para cima. Isso poderia beneficiar os produtores tocantinenses, que já enfrentam margens apertadas devido à alta nos custos de produção. No entanto, especialistas do setor alertam: a incerteza ainda é grande. "Ainda não dá para cravar se os preços vão subir ou se a demanda global vai se ajustar", diz um analista do mercado de carnes que preferiu não ser identificado.

Os números compilados até junho reforçam a tendência. Em 2023, os EUA abateram cerca de 32 milhões de cabeças de gado. Para 2024, a projeção é de 30,5 milhões — uma queda de quase 5%. Se a redução se confirmar, o rebanho bovino norte-americano pode atingir 95 milhões de cabeças em 2026, segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Isso representaria um crescimento de 3% em relação ao ano atual, um salto significativo após anos de estagnação.

A decisão dos produtores americanos de segurar os animais não é apenas uma questão de estratégia comercial. Nos últimos dois anos, a pecuária nos EUA enfrentou desafios como o aumento nos custos de ração e a competição por terras agricultáveis com culturas como a soja e o milho. Além disso, a seca severa em 2022 e 2023 reduziu pastagens naturais, obrigando muitos criadores a investir em suplementação alimentar — um gasto que só agora começa a ser compensado com a recuperação das chuvas.

No Brasil, a notícia também é observada com cautela. O país, maior exportador de carne bovina do mundo, depende fortemente do mercado americano para escoar seus produtos. Se os EUA reduzirem as importações para recompor seu rebanho, o Brasil pode perder um dos seus principais compradores. "A China e a União Europeia são mercados estratégicos, mas os EUA sempre foram um destino importante para cortes de menor valor", explica um consultor de agronegócios de São Paulo. A situação, no entanto, ainda está em aberto. O USDA deve divulgar novas projeções em setembro, o que pode trazer mais clareza sobre o cenário.

Para os pecuaristas tocantinenses, a lição é clara: a pecuária global está em transformação. A redução no abate nos EUA pode abrir oportunidades, mas também exige cautela. "Não adianta apostar em um único mercado. A diversificação é fundamental", alerta um produtor de Araguaína, no norte do Tocantins. Enquanto os números não se consolidam, uma coisa é certa: o setor precisa se preparar para um futuro onde a oferta e a demanda podem mudar de forma imprevisível.

O que vem por aí? Tudo indica que os próximos meses serão decisivos. O USDA deve revisar suas projeções em setembro, e os preços da carne nos EUA e no Brasil devem refletir essas mudanças. Enquanto isso, os olhares se voltam para os criadores americanos: se eles mantiverem a estratégia de segurar os animais, o mercado global pode viver uma nova realidade — e o Tocantins, como um dos grandes players do setor, não pode se dar ao luxo de ficar de fora.