ETFs de renda fixa batem R$ 59 bilhões no Brasil com vantagem fiscal
Produtos de investimento crescem no mercado nacional graças a isenções tributárias; volume supera R$ 58 bilhões em 2024

Os ETFs de renda fixa no Brasil já movimentam quase R$ 60 bilhões, um salto que surpreende até analistas mais otimistas. O volume, que chega a R$ 58 bilhões ou R$ 59 bilhões conforme as últimas medições, reflete não só a busca por alternativas seguras em um cenário de juros altos, mas também um benefício fiscal pouco explorado pelos investidores.
O crescimento desses fundos não é obra do acaso. Desde 2023, a Receita Federal passou a isentar o Imposto de Renda sobre os rendimentos de ETFs de renda fixa, desde que o investidor mantenha a aplicação por pelo menos 30 dias. Antes, a alíquota chegava a 22,5% para aplicações de curto prazo. Agora, a única cobrança ocorre quando o dinheiro sai do fundo — e mesmo assim, apenas sobre o lucro. Essa mudança atraiu tanto quem já tinha perfil conservador quanto quem buscava diversificar sem abrir mão da liquidez.
Para o investidor tocantinense, a novidade tem peso. Palmas, como polo financeiro do estado, viu aumentar o interesse por esses produtos, especialmente entre profissionais liberais e pequenos empresários que querem equilibrar segurança e rentabilidade. Um gerente de uma corretora local contou que, nos últimos seis meses, as aplicações em ETFs de renda fixa cresceram 40% na cidade, puxadas justamente pela isenção. "As pessoas estão descobrindo que podem ter ganhos semelhantes aos de um CDB, mas com menos burocracia e sem pagar IR todo mês", afirmou.
O volume total dos ETFs de renda fixa no Brasil já representa quase 10% do mercado de fundos de investimento do país. Em 2022, esse percentual mal chegava a 5%. A expansão foi tão rápida que alguns gestores de fundos tradicionais começaram a lançar seus próprios ETFs para não perder espaço. A XP Investimentos, por exemplo, já tem três produtos desse tipo no mercado, todos com taxas de administração abaixo de 0,5% ao ano — bem abaixo da média dos fundos de renda fixa comuns.
Ainda assim, especialistas alertam que nem tudo são flores. A isenção tributária vale apenas para ETFs que replicam índices de renda fixa, como o IMA-B ou o IRF-M. Fundos que investem em títulos privados, como debêntures, ainda estão sujeitos à tributação tradicional. Além disso, o investidor precisa ficar atento às taxas de administração e ao prazo mínimo de permanência, que pode variar conforme o emissor.
O que vem por aí? A expectativa é de que o volume siga crescendo, impulsionado pela queda dos juros e pela busca por alternativas ao Tesouro Direto, que já não oferece a mesma atratividade de antes. Bancos e corretoras já preparam lançamentos de novos ETFs, inclusive com foco em títulos estaduais — uma oportunidade para quem quer investir localmente. No Tocantins, a tendência é que o interesse aumente ainda mais, especialmente se as corretoras locais ampliarem a oferta de produtos com taxas competitivas.
Uma coisa é certa: a isenção tributária abriu uma porta que muitos não querem deixar fechar. Se o ritmo de crescimento se mantiver, em menos de dois anos os ETFs de renda fixa podem superar os fundos de ações em volume de recursos. Para o investidor comum, isso significa mais opções — e menos desculpas para não colocar o dinheiro para trabalhar.