1994: o Brasil tetra e a revolução do futebol nos EUA
Seleção brasileira conquista o tetracampeonato nos EUA em 1994; torneio marcou a profissionalização do futebol americano

A seleção brasileira de futebol entrou para a história em 1994 ao erguer a taça do tetracampeonato mundial nos Estados Unidos. O feito não apenas coroou uma geração de craques, mas também inaugurou uma nova era para o esporte no país anfitrião, onde o futebol profissional dava seus primeiros passos firmes.
A Copa do Mundo daquele ano foi disputada em cinco cidades americanas — Chicago, Dallas, Detroit, Los Angeles e Washington — e trouxe um Brasil que, apesar das dificuldades, mostrou a força de um time unido. Na final contra a Itália, o placar de 0 a 0 levou a decisão para os pênaltis, onde Roberto Baggio desperdiçou a última cobrança e selou o título brasileiro. O goleiro Taffarel foi o herói, defendendo duas cobranças e garantindo o quarto título mundial para o Brasil. A campanha, no entanto, não foi fácil: a seleção estreou com um empate contra a Rússia, passou por dificuldades nas oitavas contra os donos da casa e só se classificou nas quartas após um jogo duro contra a Holanda.
O torneio nos EUA não foi apenas sobre o Brasil. Foi o momento em que o futebol profissional americano começou a ganhar forma. Antes daquele Mundial, o esporte ainda lutava para se firmar no país, onde o beisebol, o basquete e o futebol americano dominavam as atenções. A Copa de 1994 trouxe mais de 3,5 milhões de torcedores aos estádios e uma audiência global recorde, provando que o futebol tinha potencial para crescer além das fronteiras tradicionais. Nos anos seguintes, a Major League Soccer (MLS) foi criada, e o interesse pelo esporte só aumentou, até chegar ao patamar atual, com times como o Los Angeles Galaxy e o Seattle Sounders atraindo multidões.
Para os brasileiros, aquele título foi mais do que uma conquista esportiva. Representou a redenção após a eliminação precoce na Copa de 1990, na Itália, e mostrou ao mundo a resiliência de um time que, mesmo com limitações técnicas em alguns momentos, jogava com alma. Jogadores como Romário, Bebeto e Dunga se tornaram ícones, e a imagem de Taffarel erguendo a taça com as luvas nas mãos ainda é lembrada como um dos momentos mais emocionantes do futebol brasileiro.
Nos Estados Unidos, o impacto foi ainda maior. A MLS, fundada em 1996, deve muito àquele Mundial. Antes de 1994, o futebol profissional americano era quase uma piada internacional, com ligas amadoras e pouco investimento. Depois da Copa, o esporte começou a ser levado a sério, com estádios sendo construídos especificamente para o futebol e jogadores internacionais sendo contratados. Hoje, a MLS é uma das ligas mais estáveis do mundo, com times como o Inter Miami de Lionel Messi e o LAFC de Gareth Bale, e a Copa de 1994 foi o pontapé inicial.
Aquele Brasil de 1994 também deixou um legado para o futebol tocantinense. Embora o estado só viesse a se profissionalizar décadas depois, a paixão pelo esporte já era forte entre os torcedores locais, que acompanhavam os feitos da seleção com devoção. O tetracampeonato inspirou gerações de jogadores no Tocantins, muitos dos quais sonhavam em vestir a camisa amarela algum dia. Clubes como o Tocantinópolis e o Gurupi, que hoje brigam por vaga na Série D do Brasileirão, tiveram suas origens em times amadores que cresceram ouvindo histórias daquele Mundial.
Trinta anos depois, a Copa de 1994 ainda é lembrada como um divisor de águas. Para o Brasil, foi a consolidação de uma era de ouro, mesmo com as dificuldades da década de 1990. Para os EUA, foi o início de uma transformação que levou o futebol a se tornar um esporte relevante no país. E para o Tocantins, foi mais um capítulo de uma história que ainda está sendo escrita, com novos craques surgindo a cada temporada.
O que virá depois? Nos EUA, a MLS continua a expandir, com novos times e investimentos milionários. No Brasil, a seleção tenta reconstruir seu time após a Copa de 2022 e a eliminação na Copa América de 2024. E no Tocantins, os clubes locais seguem lutando por espaço no cenário nacional, inspirados por aquele Brasil de 1994 que mostrou que, com união e paixão, até os impossíveis podem se tornar realidade.