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85% das vítimas de polícia no PI são negras em 2025

Levantamento da Rede de Observatórios da Segurança mostra que 17 das 20 mortes em ações policiais no Piauí no ano passado tinham como alvo pessoas negras

📝 Redação CCN01 de julho de 2026 às 10:07👁 5 leituras
85% das vítimas de polícia no PI são negras em 2025

O Piauí fechou 2025 com um dado chocante: 85% das pessoas mortas pela polícia estadual eram negras. Das 20 vítimas registradas em ações policiais ao longo do ano, 17 se encaixavam nesse perfil racial, segundo o relatório *Pele Alvo*, divulgado nesta quarta-feira pela Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento, que analisa dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às secretarias estaduais, expõe uma realidade que não é exclusiva do estado nordestino, mas que ganha contornos ainda mais graves em um cenário de violência institucionalizada.

O estudo não se limita a contar corpos. Ele mapeia um padrão que se repete em diferentes estados brasileiros, onde a letalidade policial atinge desproporcionalmente a população negra. No Piauí, os números mostram que, embora o estado não seja o mais violento do país nesse quesito, a concentração de mortes entre negros chama atenção. A pesquisa aponta ainda que, no Brasil como um todo, as mortes cometidas por policiais cresceram 4,5% em 2025 em relação ao ano anterior, um aumento que contrasta com a queda em outros tipos de homicídios dolosos. A disparidade racial nessas estatísticas não é novidade para quem acompanha o tema, mas a persistência dos dados — e a ausência de políticas públicas efetivas para reverter o quadro — revelam um problema estrutural.

Para quem vive no Tocantins, os números do Piauí não soam distantes. Afinal, o estado vizinho compartilha realidades sociais e históricas semelhantes, como a desigualdade racial e a concentração de renda. Aqui, a discussão sobre violência policial também ganha força, especialmente quando se observa que, em 2024, o Tocantins registrou um aumento de 12% nas mortes por intervenção de agentes do estado, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A comparação não é mera coincidência: ela evidencia que, independentemente da região, a letalidade policial segue um roteiro previsível quando o alvo é a população negra.

O relatório *Pele Alvo* não se contenta em apenas apresentar os números. Ele os contextualiza dentro de um sistema que, historicamente, criminaliza a pobreza e a negritude. As 17 mortes no Piauí não são casos isolados; são parte de uma cadeia de violência que começa nas abordagens policiais e termina nos tribunais — ou na impunidade. A Rede de Observatórios da Segurança, que reúne pesquisadores, ativistas e jornalistas, alerta que a falta de transparência nos dados estaduais dificulta um diagnóstico mais preciso. No entanto, mesmo com as limitações, o que os números mostram é suficiente para questionar: por que, em pleno século XXI, a polícia brasileira ainda mata negros como se fosse um privilégio do Estado?

Os próximos passos do relatório incluem a ampliação da coleta de dados em outros estados, com foco em estados como o Tocantins, onde a discussão sobre segurança pública ainda engatinha. A expectativa é que, com mais informações, seja possível pressionar por mudanças legislativas e práticas que reduzam a letalidade policial. Enquanto isso, as famílias das vítimas seguem sem respostas. Em Teresina, capital do Piauí, mães, pais e irmãos de jovens negros assassinados pela polícia organizam-se em busca de justiça. Suas histórias, muitas vezes ignoradas pela mídia tradicional, são o espelho do que acontece em todo o país. E o silêncio das autoridades só faz aumentar a dor de quem já perdeu o suficiente.