EUA monitoram bicheira que pode abalar pecuária americana
Primeiros casos da praga nos EUA preocupam 75% dos economistas do setor; doença avança em rebanhos

O surgimento da bicheira-do-novo-mundo nos Estados Unidos já acendeu o sinal amarelo no mercado pecuário global. A doença, que afeta bovinos e outros animais, foi detectada pela primeira vez no país em setembro, mas a confirmação de casos em outubro reacendeu o alerta. A notícia não provocou pânico imediato nas bolsas, mas a possibilidade de disseminação da praga mantém produtores e analistas de olho no futuro da cadeia produtiva da carne.
A bicheira-do-novo-mundo, causada pela larva da mosca Cochliomyia hominivorax, é conhecida por devorar tecidos vivos de animais, levando a infecções graves e até a morte. Nos EUA, os primeiros casos foram registrados na Flórida, mas a preocupação é que a praga se espalhe para outros estados, especialmente aqueles com grande concentração de gado, como Texas e Oklahoma. A doença já foi erradicada nos EUA em 1980, mas casos esporádicos ocorreram desde então, sempre controlados rapidamente. Desta vez, no entanto, a situação é diferente: a confirmação de novos focos em outubro levantou dúvidas sobre a eficácia dos protocolos de contenção.
O impacto econômico já começa a ser calculado. Segundo uma pesquisa recente, 75% dos economistas do setor pecuário americano acreditam que a bicheira pode gerar prejuízos relevantes se não for contida. O receio não é infundado: em 2016, quando a praga reapareceu na Flórida, o estado gastou cerca de US$ 10 milhões em ações de controle e monitoramento. Além dos custos diretos, há o risco de fechamento de mercados internacionais para carne americana, o que poderia afetar exportações que movimentam bilhões de dólares anualmente.
Para o Tocantins, estado que figura entre os maiores produtores de carne bovina do Brasil, a notícia serve como um alerta. Embora a doença ainda não tenha chegado ao país, a proximidade geográfica com os EUA e a intensificação do comércio internacional aumentam a vulnerabilidade. Produtores locais já estão reforçando os cuidados com a sanidade animal, mas a preocupação é que a bicheira possa entrar no Brasil por meio de animais infectados ou até mesmo de viajantes que transitam entre os dois países.
Ainda não há previsão de quando a situação será controlada nos EUA. O Departamento de Agricultura do país (USDA) já iniciou uma força-tarefa para conter a praga, com inspeções em fazendas e barreiras sanitárias em aeroportos e portos. Enquanto isso, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) emitiu recomendações para que países como o Brasil intensifiquem a vigilância nas fronteiras. A expectativa é que, nos próximos meses, os EUA consigam conter o avanço da bicheira, mas o risco de novos surtos não pode ser descartado.
O setor pecuário brasileiro, que já enfrenta desafios como a seca e a queda nos preços da arroba, agora tem mais um motivo para se preocupar. A bicheira-do-novo-mundo não é uma ameaça imediata, mas a história mostra que doenças como essa podem mudar rapidamente o cenário de um mercado. Enquanto os EUA lutam para evitar uma crise, o Brasil precisa se preparar para o pior — sem, no entanto, cair no alarmismo.
Ainda não há casos da doença no Brasil, mas a vigilância sanitária do país já está em estado de atenção. O Ministério da Agricultura monitora a situação nos EUA e mantém contato com a OIE para evitar que a praga chegue ao território nacional. A pergunta que fica é: até quando a bicheira-do-novo-mundo ficará restrita aos EUA?