Europa enfrenta morte por calor e afogamentos na França
Mais de 40 vítimas fatais em afogamentos na França enquanto domo de calor atinge Europa Ocidental

Ondas de calor extremo na Europa já deixaram ao menos 40 mortos por afogamento na França, enquanto meteorologistas alertam para temperaturas acima de 40 °C nos próximos dias. A situação afeta especialmente a Europa Ocidental e Central, onde a população enfrenta dias de calor insuportável, com registros que podem superar os 40 graus Celsius.
A França registrou um aumento alarmante nos casos de afogamento desde o início da onda de calor, segundo dados do Ministério do Interior francês. Só nesta semana, 40 pessoas morreram em rios, lagos e praias, muitas delas em busca de alívio do calor intenso. As autoridades locais relatam que o número de ocorrências dobrou em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o país enfrentou temperaturas igualmente altas. A situação é agravada pela falta de preparo de parte da população para lidar com temperaturas tão extremas, que chegam a superar os 35 °C em várias regiões.
O fenômeno que está por trás desse calor sufocante é conhecido como "domo de calor", um sistema de alta pressão que age como uma tampa, prendendo o ar quente sobre uma região por dias ou até semanas. Na Europa, esse padrão climático tem se tornado cada vez mais frequente, segundo especialistas em meteorologia. O último grande domo de calor na região, em 2019, causou mais de 1.500 mortes na França e na Alemanha, um recorde que assusta autoridades e cientistas. Desta vez, a previsão é que o calor se intensifique ainda mais nos próximos dias, com picos que podem atingir 42 °C em cidades como Paris e Lyon.
Para os moradores da Europa Ocidental, a rotina mudou drasticamente. Escolas estão adiando o início das aulas, hospitais estão com leitos extras para casos de desidratação e governos locais estão instalando pontos de resfriamento em praças públicas. Na Espanha, onde as temperaturas já ultrapassaram os 40 °C em várias províncias, bombeiros registraram um aumento de 20% nos chamados para resgates em praias e piscinas. Na Alemanha, a polícia orienta motoristas a não deixar crianças ou animais dentro de carros estacionados, após casos recentes de mortes por hipertermia.
Os dados do governo francês mostram que, entre as vítimas de afogamento, a maioria eram homens entre 20 e 50 anos, muitos deles tentando se refrescar em rios ou lagos sem supervisão adequada. As autoridades reforçam os alertas para que a população evite banhos em locais não autorizados e mantenha-se hidratada, especialmente durante as horas mais quentes do dia. Em Paris, a prefeitura anunciou a abertura de 1.200 pontos de água potável em estações de metrô e praças, uma medida que já havia sido adotada em 2019.
Enquanto a Europa Central luta contra o calor, a situação também preocupa em países como Itália e Portugal, onde os termômetros já registram marcas históricas. Na Itália, a região da Sicília enfrenta uma seca severa, agravando os riscos de incêndios florestais. Em Portugal, o governo declarou estado de alerta para 14 distritos, com recomendações para que a população evite atividades ao ar livre entre 12h e 18h.
Os meteorologistas europeus não descartam que este domo de calor possa se estender até o final de julho, mantendo as temperaturas elevadas por mais duas semanas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já classificou o fenômeno como um dos mais intensos dos últimos anos, comparando-o a ondas de calor que atingiram a Rússia em 2010 e os Estados Unidos em 2021. Para os cientistas, a frequência desses eventos está diretamente ligada às mudanças climáticas, que tornam os domos de calor mais intensos e duradouros.
A União Europeia anunciou que vai destinar 50 milhões de euros para apoiar países afetados, com foco em medidas de prevenção e assistência à população vulnerável. Na França, o presidente Emmanuel Macron convocou uma reunião de emergência com governadores regionais para discutir estratégias de contenção, enquanto a Alemanha ativou planos de contingência para evitar colapsos no sistema de saúde.
Enquanto isso, os europeus se preparam para mais dias de sufoco. Em cidades como Madrid e Bruxelas, a população busca alternativas para escapar do calor, desde a compra de aparelhos de ar-condicionado até a mudança temporária para regiões mais frias. Nas redes sociais, hashtags como #CalorExtremo e #EuropaQueima viralizam, com relatos de pessoas que não conseguem dormir à noite e enfrentam problemas de saúde por causa das altas temperaturas.
O que se sabe até agora é que o domo de calor não dá sinais de recuo. Com o verão europeu ainda no início, a pergunta que fica é: até quando a população conseguirá suportar esse calor insuportável?